Viver no limite, os surtos, os rompantes cada vez mais crescentes e incontroláveis em seus momentos, são atitudes que transparecem que a pessoa vive no limite da sanidade, mas é bem isso mesmo, quem tem este tipo de transtorno psicopatológico vive no “limítrofe”. Borderline não é loucura mesmo que pareça ser, não é, afinal são sintomas que ficam nos limites das fronteiras entre a neurose e a psicose, conhecido de outra forma no início. Foi apenas na década de 1950 que se chegou a definição deste transtorno, antes o diagnóstico ficava um pouco difícil, já que o sujeito que apresentava ter os sintomas, tinha em si todos os aspectos de quem tem surtos neuróticos (ansiosos e exagerados), mas também tem os sintomas dos psicóticos (onde a realidade é distorcida), e ainda se via muito de distúrbios de personalidade, era tudo muito vago e impreciso, em um estado intermediário, geralmente era acometido em adolescentes ou pessoas muito jovens, com predominação no sexo feminino, onde os comportamentos impulsivos ou auto destrutivos, eram bem presentes;

problemas de identidade e até abuso no uso de drogas, configuravam a existência dos sintomas, não podendo se classificar entre as neuroses graves e nem entre as psicoses endógenas clássicas, mas somente em 1980 se obteve a classificação americana no DMSIII como doença mental, deixando assim de ser considerada uma acepção relativamente vaga entre os estados de neurose e psicose, passou a ser um distúrbio de personalidade psicopatológica, toda essa evolução do transtorno serviu para finalmente definir o conceito de Borderline e todo seu mecanismo mental. Para Chaslin (1920) “A confusão e a demência não são clinicamente diferenciáveis, ambas são resultado da mesma patologia que é o transtorno de autocondução”, existe aí uma linha tênue, em 1921 Hermann Rorschach (1884-1922) reafirma o já dito por Josef Breuer (1842- 1925) que: “É a existência de forma latente da esquizofrenia”.

Nas Relações intensas e instáveis com familiares, amigos, namorados ou maridos, entes queridos, automutilação, sentimento de vazio crônico e constante, comportamentos de risco, sentimentos negativos, medos, vergonha, pânico, raiva exagerada, julgamentos oscilantes de si próprio e dos outros, ora fala que a pessoa é boa e/ou que ela é do bem e em outro momento, é a pior pessoa do mundo, ou a outra que é, chora facilmente, momentos de euforia, dependências como forma de escape, chegar a se viciar em jogos, e/ou drogas, compras, consumo aleatório e exagerado, gastos descontrolados de dinheiro comprometendo o seu lado financeiro ou da família, come compulsivamente, sente ira, depressão e ansiedade, sintomas espoletados para eventos aparentemente normais.

Instabilidade na sua própria imagem e instabilidade emocional, podendo chegar ao suicídio em busca de uma fuga concreta do todo, muitas vezes é confundida com transtorno bipolar, ou esquizofrenia, mas a duração e a intensidade são muito diferentes. As possíveis causas? Os sintomas podem ter tido origem por várias causas, tais como: experiências ruins precoces (geralmente na infância), fatores genéticos, fatores ambientais, situações traumáticas (violência) e/ou de abuso, negligência, o fator genético (hereditário) é o mais provável, por que o transtorno é cinco vezes mais frequente em quem tem ou teve pais com o mesmo sintoma, mas não pode se descartar o ambiente familiar vulnerável, até os casos de divórcios litigiosos com frequentes abusos violentos entre os pais, os conflitos entre outras coisas podem desencadear o transtorno, educação rígida e/ou autoritária com frequentes castigos im-postos também podem potencializar o desenvolvimento do transtorno, mas existem casos onde não se tem predisposição alguma, nem fatores genéticos, nem conflitos e nem abusos, mas a pessoa pode vir a desenvolver o transtorno mesmo assim, por isso a linha é bastante tênue como havíamos dito.

Como se descobre um diagnóstico para Borderline?

É clínico, necessitando uma avaliação minuciosa por parte do psiquiatra ou psicólogo. Em alguns casos o paciente pode vir aos poucos se identificar com o transtorno, relatar ao profissional de uma forma que fique confortável para ele, mas existem casos que o profissional nem informa ao paciente, para que não o estigmatize, durante muito tempo o transtorno era tido como intratável, mas de um modo geral falar com o paciente é o mais indicado, o diagnóstico é feito por um conjunto de fatores que indicam o transtorno, o abuso de esteróides e problemas com a tireóide podem trazer sintomas muito parecidos, portanto é necessário alguns exames além dos psicológicos, geralmente se demora muito a descobrir e diagnosticar os transtornos de Borderline, e assim como todos os transtornos psicopatológicos, é necessário ser diagnosticado mais brevemente possível e iniciar o tratamento o quanto antes. O diagnóstico precoce facilita no tratamento, mesmo sabendo que não tem cura é necessário fazer todo o acompanhamento e tratamento para o transtorno de Borderline não chegar a um ponto culminante de grau mais intenso, que em alguns casos chega-se ao suicídio.

Como tratar?

O acompanhamento com a psicoterapia ajuda em muito para que o paciente consiga definir os seus limites dentro do contexto, ajuda também a controlar seus impulsos e entender seu comportamento. Ela é uma aliada que busca a melhoria dos aspectos emocionais, oferece auxílio para vários momentos de aflição que sentem os pacientes com o transtorno, facilitando o paciente vir a descobrir habilidades que não via como consciência, eficácia interpessoal, cooperação adaptativa nas decepções e crises e regulação de suas reações emocionais. A inclusão da família na terapia ajuda bastante para o progresso do tratamento, de início o tratamento vai aliviar alguns sintomas, os mais perturbadores. A terapia pode ser feita entre 20 sessões em casos mais leves e chegar a dois ou três anos em casos mais graves, tendo como objetivo ir além dos sintomas para desenvolver a capacidade psíquica do paciente. O psiquiatra pode indicar medicamentos fármacos como antidepressivos, antipsicóticos e estabilizadores de humor, não se deve usar medicamentos sem acompanhamento médico e o tratamento não funciona caso o paciente ingira álcool, e/ou qualquer outra substância ilícita psicoativa. Mas o fundamental é não deixar de procurar ajuda profissional. Segundo a OMS estima que 6% (seis por cento) da população mundial sofra de transtorno de Borderline, não tendo uma estimativa real sobre o transtorno no Brasil em termos de porcentagem da população, mas algumas pesquisas da Associação Brasileira de Psiquiatria – ABP informam que 10% (dez por cento) das pessoas diagnosticadas com os sintomas cometem suicídio.

REFERÊNCIAS:
Berrios, German E., Delirium e a confusão mental no século XIX, uma história conceitual,
https://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1415-47142011000100012 disponível em (2010) acessado em 12/04/2021 as 15:20h
Dalgallarondo, Paulo / Vilela, Wolgrand Alves, Transtrono Borderline: História e atualidade, https://www.scielo.br/pdf/rlpf/v2n2/1415-4714-rlpf-2-2-0052.pdf (1999)

Azevedo, Thyago, Síndrome de Borderline, o que é e tratamento, https://www.minhavida.com.br/saude/temas/transtorno-de-personalidade-borderline disponível em (2020) acessado em 12/04/2021 as 15:35h
Santos, Maria Tereza, Transtorno de Personalidade Borderline, o que é e como tratar, https://saude.abril.com.br/mente-saudavel/transtorno-de-personalidade-borderline-o-que-e-ecomo-controlar/ disponível em (2018) acessado em 12/04/2021 as 15:45h.

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