Jony Zatariano
Hobbies que Inspiram e ConstroemJony Zatariano é um líder em marketing com sólida experiência internacional. Atuando como Head de Marketing em uma multinacional japonesa com mais de 130 anos de história, liderou a criação de centros globais de suporte e treinamento para a Furukawa, impulsionando a capacitação técnica em diversos países. Com dois MBAs – um em Estratégia de Marketing pela Fundação Getúlio Vargas (FGV) e outro em China Business & Economic Strategies for Managers pela The Chinese University of Hong Kong – alia conhecimento estratégico à aplicação prática em ambientes altamente desafiadores
LinkedInQuando o hobby vira propósito: a tecnologia, o cuidado e o impacto social no Instituto La Bruma
Hobbies que inspiram e constroem
Jony Zatariano
Quando o hobby vira propósito: a tecnologia, o cuidado e o impacto social no Instituto La Bruma
Em um mercado cada vez mais orientado por performance, produtividade e métricas, cresce uma pergunta silenciosa, mas essencial: onde encontramos sentido no que fazemos?
Para Rodolfo Vera, fundador do Instituto La Bruma, a resposta não está apenas na carreira, mas no encontro entre propósito, tecnologia e um hobby que se transformou em missão de vida. Localizado em Américo de Campos, no interior de São Paulo, o Instituto La Bruma é uma organização sem fins lucrativos criada para promover o desenvolvimento social, cognitivo e emocional de crianças e jovens com deficiência ou dificuldades de aprendizagem, por meio de abordagens terapêuticas e educacionais inovadoras.
O que começou com a equoterapia, método terapêutico que utiliza o cavalo como instrumento de reabilitação, evoluiu ao longo de mais de uma década para um modelo multidisciplinar que integra legoterapia com uso de LEGO, hidroterapia, robótica e até iniciativas de capacitação profissional em tecnologia. Hoje, o instituto atende dezenas de crianças, adolescentes e jovens, oferecendo não apenas desenvolvimento técnico, mas oportunidades reais de inclusão e autonomia.
Um dos grandes diferenciais do projeto está justamente na forma como a tecnologia é aplicada. No Instituto La Bruma, ela não é o fim, mas o meio. A robótica, por exemplo, é utilizada como ferramenta de interação social, desenvolvimento cognitivo e construção de autoconfiança. Em um mesmo ambiente convivem jovens com autismo, paralisia cerebral, síndrome de Down entre outros, criando um espaço onde o foco não está nas limitações, mas nas possibilidades.
Essa abordagem ganha ainda mais força em iniciativas de capacitação profissional, como os treinamentos em redes e fibra óptica realizados em parceria com empresas do setor. Mais do que ensinar uma habilidade técnica, esses projetos ajudam a reconstruir a percepção que esses jovens têm sobre si mesmos. Muitos chegam ao instituto acreditando que não são capazes de construir uma carreira. Com o tempo, passam a enxergar um caminho possível dentro do mercado de tecnologia.
Os resultados aparecem de forma concreta. Jovens que antes interrompiam os estudos passam a ingressar no ensino técnico e superior. Participantes que enfrentavam limitações motoras conquistam avanços significativos em sua autonomia. Outros descobrem talentos, desenvolvem habilidades sociais e passam a se posicionar com mais segurança no mundo.
Para Rodolfo, no entanto, o que sustenta tudo isso não está apenas na estrutura do projeto, mas na experiência pessoal que ele vive ali diariamente. Ele descreve o instituto como um momento de terapia, um espaço onde encontra prazer, realização e equilíbrio. Entre o cuidado com os cavalos e o contato com as crianças, ele construiu uma rotina que vai além do trabalho e se conecta diretamente com o propósito.
Três elementos sintetizam essa experiência. A conexão com os animais, presente desde a infância, que reforça vínculos e sensibilidade. A convivência com crianças neurodivergentes, marcada pela autenticidade e pela ausência de julgamentos. E o retorno das famílias, que encontram no instituto uma transformação real na vida de seus filhos, seja em pequenos avanços diários ou em conquistas que antes pareciam impossíveis.
Em um país onde os desafios da inclusão ainda são evidentes, o Instituto La Bruma se consolida como um exemplo de inovação social aplicada. Não apenas pelo uso da tecnologia, mas pela forma como ela é integrada ao desenvolvimento humano e à construção de oportunidades.
Para o mercado de carreiras e tecnologia, fica uma reflexão importante. Em meio a discussões sobre habilidades técnicas, soft skills e futuro do trabalho, talvez seja necessário olhar com mais atenção para aquilo que não aparece no currículo, mas que define trajetórias.
No fim, o que sustenta uma carreira não é apenas competência. É sentido.
Entre em contato e conheça o Instituto La Bruma http://www.institutolabruma.com.br/



