Prof. Robson do Nascimento
Aprender-Desaprender- ReaprenderProfessor do Instituto de Desenvolvimento Tecnológico da Fundação Getúlio Vargas (FGV), integrando mais de 30 anos de rigor militar em logística e tecnologia à vanguarda da educação digital. É responsável pelos projetos https://dataproject.com.br/ e https://reaprender.app.br/. Contatos: https://robson.pro.br/ e https://linkedin.com/in/robson-nascimento
LinkedIn2026 – O fim da carreira linear e benvindo ao aprendizado em movimento
Janeiro/2026 –
2026 – O fim da carreira linear e benvindo ao aprendizado em movimento
Como profissionais de TI podem se adaptar (e prosperar) no novo modelo de competências
Em novembro, um artigo publicado na Folha de São Paulo, assinado por Luiz Cláudio Costa, provocou uma daquelas discussões que merecem ser levadas para dentro das empresas, das universidades e — principalmente — para dentro das nossas próprias carreiras.
O autor defende que a universidade, do jeito que conhecemos, está com os dias contados por causa de seus currículos rígidos, em ciclos longos, em salas expositivas e com calendários fixos. Ele avalia que tudo isso está ruindo porque o mundo do trabalho mudou antes que a educação percebesse.
Quando a formação tradicional desmorona, ela arrasta junto o mito da carreira linear.
Por décadas, fomos treinados para seguir o roteiro simples de estudar, se formar, trabalhar, crescer. Ao longo de nossas vidas tivemos uma formação oriunda da era industrial, em uma carreira linear, onde o mercado era previsível.
Só que nada disso existe mais.
A lógica do século XXI é outra, porque trabalhamos em rede, com equipes fluidas, em ciclos curtos, com tecnologia assistiva e a Inteligência Artificial se tornando uma infraestrutura cognitiva. O aprendizado contínuo agora é um requisito e não um diferencial.
Seja na área de desenvolvimento de sistemas, na segurança da informação ou na engenharia de dados, o padrão é o mesmo: a estagnação técnica tornou-se um risco maior do que a mudança. Veja exemplos concretos dessa transformação no mercado de TI:
Um desenvolvedor tradicional, profissional que dominava a linguagem Java que trabalhou 15 anos em bancos desenvolvendo sistemas grandes e únicos viu seu perfil perder valor rapidamente. Para continuar competitivo, precisou aprender arquitetura de microsserviços, containers, DevOps e integração com Inteligência Artificial. Tudo isso em menos de três anos.
O profissional de segurança da informação, anteriormente, obtinha certificações que duravam uma carreira inteira que agora exigem renovação a cada 2-3 anos. Profissionais com certificações como Certified Ethical Hacker (CEH), Certified Information Systems Security Professional (CISSP) ou similares precisam, não apenas renovar credenciais, mas acompanhar vulnerabilidades mensalmente, estudar novas formas de ataque e dominar ferramentas que nem existiam há cinco anos.
O engenheiro de dados era aquele profissional que dominava apenas SQL e bancos relacionais. De repente ele viu o mercado mudar completamente e hoje, precisa manter repositórios GitHub públicos com projetos em Python, Apache Spark, dados em nuvem e contribuições em projetos Open Source. O portfólio deixou de ser um currículo estático para se tornar uma demonstração viva e atualizada de sua capacidade técnica.
O profissional que quiser se tornar competitivo precisa acumular certificações, destacar suas competências, atualizar seu conjunto de habilidades (skills), criar um portfólio dinâmico, resolver problemas reais e se desenvolver em ciclos.
Mas muita gente irá entrar em 2026 olhando para um mapa de 1998...
Conheço Arquitetos de Software que ainda resistem a aprender sobre Cloud Computing, acreditando que "isso é modismo e vai passar". Conheço Gerentes de TI que nunca fizeram um curso sobre metodologias ágeis porque "sempre trabalhei em cascata e funcionou". Também vejo por aí desenvolvedores que não tocam em tecnologias front-end modernas porque "meu negócio é back-end".
Assim como as universidades que insistem no modelo de sala expositiva reconhecem que estão perdendo a atenção dos jovens, os profissionais que insistirem na mentalidade de “curso longo + estabilidade garantida” também irão perder relevância.
O artigo da Folha descreve que a universidade – desde já deve se tornar - como “um espaço vivo, conectado e orientado a competências” — e isso vale igualmente para a carreira.
Acabou o tempo de “eu já aprendi isso”. Agora é “eu mantenho isso atualizado?”
Ficou para trás a ideia de "terminei o curso". Agora é "o que eu evoluí este mês?"
O Novo Modelo Já Está em Operação
Todas as profissões precisam de uma adequação a este novo cenário. Os profissionais de TI, em particular, vivem essa realidade de forma ainda mais intensa: precisam de habilidades que estejam sempre se atualizando, provas de conhecimento, capacitações adquiridas e um aprimoramento constante não são mais opcionais.
E não são apenas as hard skills que se renovam. A capacidade de aprender rápido, colaborar em equipes remotas e comunicar ideias técnicas tornou-se uma parte essencial do conjunto de competências do profissional moderno.
Empresas de tecnologia já adotam modelos de desenvolvimento de carreira baseados em skills e não em tempo de casa. Plataformas como Udemy, Coursera e bootcamps especializados crescem exponencialmente. Comunidades técnicas no GitHub, Stack Overflow e fóruns especializados se tornaram os novos "campi universitários" onde ali o aprendizado real acontece.
A boa notícia é que começar é mais simples do que parece: basta destinar 5% do seu tempo semanal para aprendizado ativo — seja um curso, um projeto open source ou a leitura de um artigo técnico.
Algumas dicas para o profissional que quiser prosperar em 2026
Dedique um tempo semanal para atualização (mesmo que sejam 30 minutos diários)
Mantenha projetos paralelos que demonstrem aprendizado prático
Participe de comunidades e compartilhe conhecimento
Documente sua evolução de forma pública e transparente
Considera as certificações como marcos de crescimento e não um caminho final.
Deixando 2025 para trás e abraçando 2026...
Faça um exercício honesto e liste as 5 principais tecnologias ou habilidades que você domina e em seguida responda:
Quantas delas você atualizou nos últimos 12 meses?
Quantas certificações você renovou ou adquiriu?
Quantos projetos práticos você iniciou para testar novos conhecimentos?
Quantas vezes você saiu da zona de conforto técnica?
Se as respostas são zero ou próximas disso, você ainda está olhando para o mapa de 1998...
No artigo de fevereiro, iremos continuar a refletir sobre isso...
Se o modelo antigo colapsou, o que surge no lugar? Como estruturar uma carreira em movimento contínuo sem se perder no caminho?
Vamos olhar mais a fundo os três pilares que dão nome a esta coluna:
Aprender: reconhecer por que a formação tradicional não atende mais.
Desaprender: a crença de que diploma define futuro.
Reaprender: por meio de trilhas vivas, ciclos curtos, evolução contínua.
2026 já começou. A pergunta não é se você vai se adaptar, mas quando.
Até lá!