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Jony Zatariano
Colunista

Jony Zatariano

Hobbies que Inspiram e Constroem

Jony Zatariano é um líder em marketing com sólida experiência internacional. Atuando como Head de Marketing em uma multinacional japonesa com mais de 130 anos de história, liderou a criação de centros globais de suporte e treinamento para a Furukawa, impulsionando a capacitação técnica em diversos países. Com dois MBAs – um em Estratégia de Marketing pela Fundação Getúlio Vargas (FGV) e outro em China Business & Economic Strategies for Managers pela The Chinese University of Hong Kong – alia conhecimento estratégico à aplicação prática em ambientes altamente desafiadores

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Hobbies que Inspiram e Constroem

Entre Emoções e Sonhos: O que move a vida e pode nos conectar em 2026?

Coluna: Hobbies que inspiram e constroem

Entre Emoções e Sonhos: O que move a vida e pode nos conectar em 2026?

Existe algo profundamente humano que costura todas as grandes histórias, conquistas e transformações: a presença uns dos outros. Podemos ser resilientes, visionários, disciplinados e criativos, mas nada disso encontra seu verdadeiro sentido sem a troca, o afeto e o olhar do outro. É na capacidade de conectar emoções, histórias e propósitos que nasce a força que transforma esforço em significado e resultados em legado.

E poucas épocas do ano revelam tão claramente essa força quanto ao iniciar um novo ano. Há algo mágico no instante em que o relógio marca meia-noite e uma mistura de esperança, ternura e expectativa toma conta das pessoas. As luzes brilham mais forte, os abraços duram um pouco mais, as taças se tocam em celebração coletiva, e o mundo parece sincronizar sua respiração em um único sentimento: RECOMEÇO. O Ano Novo nos lembra com delicadeza que o toque, a presença, o sorriso e o reencontro são pontes silenciosas que sustentam quem somos. E que não caminhamos, e nem queremos caminhar, sozinhos por esse mundo.

Walt Disney compreendia como poucos essa fusão entre emoção, propósito e conexão humana. Ele não criava apenas histórias, ele criava sentimentos duradouros. Cada traço, cada cenário e cada gesto dos seus personagens eram pensados para tocar pessoas reais. Montando ferrovias em miniatura e dando vida a personagens icônicos, ele descobriu sua vocação mais profunda: encantar. E o encantamento só ocorre quando existe alguém para senti-lo.

Por isso, imaginar a criação da Walt Disney World sem cuidado humano seria impossível. O “lugar mais maravilhoso do mundo” não nasceu de tijolos, mas de pertencimento, inspiração e sensibilidade. Felicidade emocional, composta por engajamento, alegria, relações fortes e significado, sempre foi o que deu vida a cada detalhe, assim como acontece no calor das festas de Ano Novo, quando a esperança se renova na convivência.

É nesse mesmo espírito que os hobbies entram como uma ponte entre bem-estar e conexão humana. Mais do que simples atividades de lazer, eles revitalizam a vida e criam espaços onde a alma respira. E quando falamos disso, existem hobbies que naturalmente aproximam pessoas e fortalecem vínculos, tais como, cantar em um coral, dançar em grupos, cozinhar com os amigos, praticar esportes coletivos, fazer trilhas, desenvolver projetos de voluntariado, entre tantos outros. Cada uma dessas experiências fortalece vínculos, desperta cooperação e reacende a chama do afeto, porque toda prática que nos une, fortalece o que temos de mais humano.

Hobbies também têm o poder de moldar quem nos tornamos quando combinam três pilares essenciais: manter o corpo em movimento, manter a mente criativa e manter o pensamento ágil. Um hobby que nos desafia fisicamente desperta energia; um que estimula a imaginação amplia horizontes; e um que exige raciocínio rápido treina resiliência e flexibilidade mental. Quando esses três elementos convivem, nasce uma pessoa mais visionária, mais preparada para inovar e acima de tudo mais humana, alguém capaz de unir sensibilidade com estratégia e propósito com ação.

E embora felicidade emocional floresça dentro de cada indivíduo, ela se expande quando compartilhada. Mudanças profundas começam no íntimo — num entusiasmo discreto, num novo sentido, num brilho renovado — mas ganham forma quando encontram outras pessoas com desejos semelhantes. Toda grande transformação nasce no coração de alguém, mas se torna poderosa quando encontra direção coletiva. Não existe cultura forte sem indivíduos fortalecidos e não existe grupo próspero sem pessoas com propósito.

Também é verdade que somos feitos de razão e emoção, duas forças que se complementam. Enquanto a razão ilumina o caminho, a emoção nos dá o impulso para avançar. Talvez seja por isso que o Ano Novo desperta sentimentos tão intensos: porque ele nos lembra que emoções são o combustível das decisões mais importantes e que sem sensibilidade, conexão e significado não há futuro possível.

Além disso, o ambiente no qual estamos inseridos molda silenciosamente quem nos tornamos. Pessoas florescem onde existe confiança, acolhimento e afeto, assim como acontece na virada do ano, quando até desconhecidos sorriem uns para os outros com generosidade rara. Ambientes frios sufocam potências, enquanto ambientes emocionalmente nutritivos expandem horizontes. Por isso, antes de definir metas, precisamos olhar para a cultura que nos cerca, para o clima emocional que sustenta ou enfraquece nossos passos.

No fim, existe uma verdade que nunca perde força: toda mudança começa em alguém. Uma pessoa que decide agir diferente, que escolhe acreditar, que dá o primeiro passo. Liderança é, no fundo, a arte de iniciar movimentos quase invisíveis que se transformam em ondas capazes de mover coletivos inteiros.

E no centro de tudo está o lembrete mais essencial de todos: tudo é feito por pessoas. Marcas, projetos, histórias, sistemas e sonhos — tudo nasce das mãos, mentes e corações humanos. Nietzsche dizia: “Quem tem um porquê enfrenta qualquer como.” E Walt Disney completava com maestria: “Você pode sonhar, criar, desenhar e construir o lugar mais maravilhoso do mundo, mas é preciso pessoas para tornar o sonho realidade.” Basta uma pergunta simples para entender: o que seriam os parques sem visitantes? As histórias sem público? A magia sem quem a sinta?

A resposta é clara: seriam vazios. Porque pessoas não são parte da experiência; são a experiência.

Conexão humana é nosso maior superpoder. Hobbies nos aproximam. As festas de Ano Novo nos dão a possibilidade de um novo começo. A felicidade emocional nasce dentro de nós, mas cresce quando compartilhada. O contato, o olhar, o abraço, a presença, constroem pontes que sustentam tudo o que realmente importa.

Ao fim, o que sustenta qualquer futuro é a nossa capacidade de sonhar, criar, se conectar e, principalmente, fazer tudo isso juntos. A magia, seja da Disney, do Ano Novo ou da vida, nasce sempre do encontro entre pessoas e propósitos.

E é aqui que surge a pergunta que realmente importa: talvez o grande desafio de 2026 não seja apenas o que você quer conquistar, mas com quem você pretende caminhar. Que hobby pode aproximar você das pessoas? Qual prática simples e prazerosa pode abrir novas conversas, inspirar parcerias ou fortalecer relações? Cozinhar para amigos? Viajar com mais curiosidade? Caminhar ao ar livre com quem você ama? Qualquer escolha vale, desde que mova você, e também, o mundo ao seu redor.

Porque, no fim, de que vale construir a nossa própria “Disney pessoal” se não houver ninguém com quem compartilhar, ninguém para se encantar com ela e torná-la viva ao nosso lado?

Imagem 1 do artigo: Mini currículo Jony Zatariano