Revista Carreiras TI
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Jony Zatariano
Colunista

Jony Zatariano

Hobbies que Inspiram e Constroem

Jony Zatariano é um líder em marketing com sólida experiência internacional. Atuando como Head de Marketing em uma multinacional japonesa com mais de 130 anos de história, liderou a criação de centros globais de suporte e treinamento para a Furukawa, impulsionando a capacitação técnica em diversos países. Com dois MBAs – um em Estratégia de Marketing pela Fundação Getúlio Vargas (FGV) e outro em China Business & Economic Strategies for Managers pela The Chinese University of Hong Kong – alia conhecimento estratégico à aplicação prática em ambientes altamente desafiadores

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Hobbies que Inspiram e Constroem

Um ano da coluna Hobbies que Inspiram e Constroem

Mini currículo Jony Zatariano

Jony Zatariano é um líder em marketing com sólida experiência internacional. Atuando como Head de Marketing em uma multinacional japonesa com mais de 130 anos de história, liderou a criação de centros globais de suporte e treinamento para a Furukawa, impulsionando a capacitação técnica em diversos países. Com dois MBAs – um em Estratégia de Marketing pela Fundação Getúlio Vargas (FGV) e outro em China Business & Economic Strategies for Managers pela The Chinese University of Hong Kong – alia conhecimento estratégico à aplicação prática em ambientes altamente desafiadores.

Hobbies que inspiram e constroem

Há um ano escrevi o meu primeiro artigo para a revista Carreiras TI, levando para suas páginas a proposta da seção “Hobbies que inspiram e constroem”, eu queria falar sobre algo que sempre esteve presente na minha vida, mas que nem sempre recebe a importância que merece. Queria mostrar que aquilo que fazemos por prazer, nas horas em que não estamos trabalhando, pode contribuir profundamente para a maneira como pensamos, nos relacionamos, tomamos decisões e enfrentamos os desafios da vida profissional.

Ao longo desses doze meses, cada artigo foi uma oportunidade de revisitar experiências, observar comportamentos e tentar compreender o que existe por trás das atividades que escolhemos fazer quando ninguém está nos cobrando resultados. E foi justamente nesse exercício que percebemos que durante nossa jornada profissional somos focados em metas, resultados, decisões e responsabilidades, mas quando o trabalho termina, encontramos outras experiências, outras relações e outras formas de prazer.

Falamos que as experiências que temos fora do ambiente profissional também participam da construção de quem somos quando voltamos para o trabalho. Um hobby pode desenvolver disciplina sem que exista uma meta corporativa, pode estimular criatividade sem que alguém esteja pedindo uma inovação e pode ensinar resiliência sem que exista uma avaliação de desempenho. São aprendizagens que acontecem naturalmente, muitas vezes sem que percebamos.

Foi essa constatação que deu sentido à esta coluna.

O motociclismo foi, desde o início, uma das principais referências para essa reflexão. Para quem olha de fora, andar de motocicleta pode parecer simplesmente uma atividade de lazer, uma forma de viajar ou uma paixão por máquinas, mas para quem vive essa experiência, existe uma quantidade enorme de aprendizados acontecendo durante cada quilômetro percorrido. Na estrada, aprendemos rapidamente que não controlamos tudo. Podemos planejar uma rota, conferir o clima, preparar a motocicleta e definir o destino, mas sempre existirão variáveis que não estavam no planejamento. Uma mudança repentina no tempo, uma condição diferente da estrada, um veículo que surge inesperadamente ou uma alteração no percurso exigem uma resposta rápida. Essa experiência me fez perceber quantas semelhanças existem entre a estrada e a liderança.

Umas das lições que mais reforcei nesse primeiro ano da coluna, é a que visão estratégica não significa apenas saber para onde queremos ir, mas perceber o que está acontecendo no caminho e ter flexibilidade para ajustar a rota sempre que necessário.

Quando alguém cozinha, por exemplo, provavelmente não está pensando em desenvolver capacidade de gestão de recursos. Está preparando uma refeição, entretanto, precisa organizar ingredientes, administrar tempo, adaptar-se quando alguma coisa não sai como esperado e, muitas vezes, improvisar para chegar ao resultado desejado. Quem fotografa desenvolve a capacidade de observar detalhes e encontrar perspectivas diferentes. Quem pratica um esporte aprende a conviver com limites, esforço, disciplina e frustração. Quem cultiva um jardim descobre que alguns resultados simplesmente não podem ser acelerados. Quem toca um instrumento aprende que evolução exige repetição, paciência e disposição para errar muitas vezes antes de acertar.

Outro aprendizado que apareceu diversas vezes durante esse primeiro ano foi a importância da resiliência. Mas, com o tempo, passei a olhar para essa palavra de uma maneira diferente.

Resiliência não deveria significar simplesmente suportar tudo e continuar avançando. Ela está muito mais relacionada à capacidade de compreender o que aconteceu, reorganizar-se e encontrar uma maneira possível de seguir em frente.

Os hobbies nos colocam diante dessa experiência com frequência. Nem sempre conseguimos o resultado que esperávamos. Uma viagem pode ser interrompida, uma fotografia pode não sair como imaginávamos, uma receita pode dar errado, uma competição pode terminar de maneira frustrante ou uma habilidade pode demorar muito mais para ser desenvolvida do que gostaríamos.

Em cada uma dessas situações, somos convidados a fazer uma escolha, as vezes muito dura, entre desistir ou aprender.

Outro tema que ganhou força ao longo da coluna foi a relação entre hobbies e percepção. Quando nos dedicamos a uma atividade diferente daquela que ocupa a maior parte do nosso tempo, somos obrigados a sair do nosso padrão habitual de pensamento. Isso amplia nosso repertório e nos coloca diante de outras formas de observar o mundo, e talvez por isso nossos hobbies tenham uma relação tão forte com criatividade e inovação.

A criatividade raramente nasce quando repetimos exatamente os mesmos caminhos. Ela surge quando fazemos conexões diferentes, quando misturamos experiências e quando conseguimos enxergar uma situação a partir de outro ângulo.

Talvez uma das conclusões mais importantes que este primeiro ano me traz é que somos muito mais do que somente o nosso cargo. No mundo corporativo é muito fácil conhecer alguém pelo cargo que ocupa. Diretor, gerente, coordenador, especialista, analista, vendedor ou empreendedor. Essas palavras explicam uma função, mas não expressam uma pessoa.

E isso vale especialmente para a liderança.

Desenvolver pessoas não significa apenas identificar competências e estabelecer metas. Significa compreender que cada pessoa chega ao trabalho carregando uma história, uma personalidade, interesses, sonhos e experiências que podem contribuir para aquilo que ela faz. Um líder que conhece melhor as pessoas de sua equipe têm mais condições de compreender suas motivações, seus talentos e até mesmo suas formas particulares de enfrentar desafios.

No fundo, liderar pessoas exige enxergar além da função que elas exercem, exige conexão humana.

Falar sobre hobbies entre as várias matérias escritas, é inevitavelmente, falar sobre equilíbrio. Em uma realidade em que o trabalho ultrapassa os limites do expediente e a tecnologia nos mantém conectados quase o tempo todo, precisamos lembrar que equilíbrio não significa dividir a vida em partes iguais, mas impedir que uma única dimensão ocupe todos os espaços. Há momentos em que o trabalho exige mais, assim como existem momentos em que a família, os amigos e nós mesmos precisamos de atenção. É nesse espaço que o hobby nos permite desconectar das cobranças, recuperar energia, estimular a criatividade e, principalmente, lembrar quem somos além do cargo que ocupamos. Talvez a verdadeira produtividade não esteja em trabalhar cada vez mais, mas em saber quando parar para voltar melhor. Afinal, de que adianta conquistar resultados extraordinários na carreira se, no caminho, perdemos o equilíbrio que dá sentido à própria vida?

Quando comecei a escrever essa coluna, minha pergunta era relativamente simples: o que os hobbies podem ensinar para a carreira?

Depois de um ano, percebo que a pergunta mudou, e hoje, eu me pergunto: que profissional eu me torno quando cuido melhor da pessoa que existe por trás desse profissional?

Essa mudança parece pequena, mas representa muito do que escrevi ao longo dessa jornada.

Os hobbies não precisam ser transformados em ferramentas de produtividade. Não precisamos correr, pintar, cozinhar, fotografar ou andar de motocicleta pensando em qual competência corporativa estamos desenvolvendo.

Fazemos essas coisas simplesmente porque gostamos e o desenvolvimento acontece naturalmente como consequência.

E talvez esse seja o aspecto mais bonito dessa história, pois algumas das experiências que mais contribuem para nossa formação são justamente aquelas que fazemos sem a intenção de construir um currículo.

Depois de um ano escrevendo sobre o tema, continuo acreditando que hobbies podem inspirar e construir porque eles nos colocam diante de situações que ajudam a desenvolver disciplina, criatividade, resiliência, percepção, capacidade de adaptação, equilíbrio e relacionamento. Mas, acima de tudo, eles nos ajudam a compreender melhor quem somos.

Completar um ano dessa coluna também me faz olhar para trás e reconhecer que nenhuma história começa sozinha, por isso, quero registrar meu agradecimento ao Juliano Heinzelmann, que me apresentou à revista Carreiras TI e ao Ednewton, por ter recebido a proposta, acreditado na ideia e aceitado abrir espaço para que “Hobbies que inspiram e constroem” pudesse existir dentro da revista. Mais do que aceitar uma coluna, ele ajudou a dar espaço para uma perspectiva que busca aproximar desenvolvimento profissional e desenvolvimento humano.

Agradeço também aos leitores que acompanharam os artigos ao longo deste primeiro ano, porque escrever só faz sentido quando existe alguém disposto a ler, refletir, concordar, discordar e levar aquela ideia para a própria realidade.

Quando penso nesses doze meses, percebo que essa coluna foi desenvolvida para ajudar líderes e profissionais a desenvolverem clareza, resiliência, tomada de decisão e equilíbrio por meio dos aprendizados que existem fora do ambiente corporativo, e essa é a verdadeira essência da nossa coluna “Hobbies que inspiram e constroem”.

Não se trata de encontrar produtividade em tudo o que fazemos. Trata-se de reconhecer que a vida é feita de diferentes experiências e que cada uma delas pode deixar alguma coisa em nós.

 

Transformar ideias em ação é o próximo passo.

 

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