Psicólogo Wislen Paiva
Aprendiz de Psicologia(Escritor, poeta, compositor, músico e discente de Psicologia. Especializando em musicoterapia).
LinkedInSaúde Mental Masculina, Prevenção do Suicídio
Por Gleice Soares Magalhães (Graduanda em Psicologia pelo Uninta Campus Itapipoca Ceará) e Wislen Paiva Vasconcelos CRP 11/19961 Psicólogo Clínico Cristão com ênfase em Psicanálise Freudiana, Escritor, Compositor, Letrista, Músico, Poeta e Colunista da Revista Carreira TI com a Coluna “Aprendiz de Psicólogo”
Deixamos para falar deste assunto agora após o mês de prevenção do suicídio e da saúde mental masculina, um assunto que é tão pertinente nos últimos anos, que vem devastando muitas famílias de uma maneira surreal e que é muito pouco falado mesmo na época da campanha nacional que acabou agora em junho, talvez pelo preconceito gerado e o estigma ainda existente socialmente em se tratando de saúde mental e mais ainda em saúde mental dos homens e prevenção de suicídio, queremos gerar aqui uma discussão mais abrangente, eficaz e eficiente no sentido de elucidar e divulgar mais amplamente esta questão.
A saúde mental em homens precisa ocupar um espaço maior nas discussões sobre saúde pública. Pois, embora a sociedade tenha avançado no combate ao preconceito relacionado aos transtornos mentais, os homens, ainda enfrentam barreiras, em razão de normas culturais que associam masculinidade à força e à falta de vulnerabilidade, assim, muitos homens demoram a procurar ajuda, quando procuram, o que pode agravar o sofrimento psíquico.
Desde a infância, muitos meninos são educados para acreditar que demonstrar emoções é sinal de fraqueza, algumas expressões como "homem não chora", "engula o choro" ou "seja forte" contribuem para a construção de uma masculinidade baseada na repressão dos sentimentos. Essa educação emocional limitada faz com que inúmeros homens enfrentem depressão, ansiedade, estresse e outros transtornos em silêncio, muitas vezes recorrendo ao isolamento, ao consumo de álcool ou a comportamentos de risco.
Os números reforçam essa preocupação, pois, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), mais de 720 mil pessoas morrem por suicídio todos os anos, sendo que os homens apresentam taxas de mortalidade significativamente superiores às das mulheres, e isso não significa que sofram mais transtornos mentais, mas que tendem a procurar menos os serviços de saúde, receber menos diagnósticos e utilizam métodos mais letais nas tentativas de suicídio.
Muitos homens em sofrimento psíquico demoram a procurar ajuda e o resultado dessa realidade é alarmante, pois é a maioria das mortes por suicídio em praticamente todas as regiões do país.
Além, das dificuldades emocionais, os homens convivem com pressões relacionadas ao trabalho, ao sustento da família, ao desemprego, às crises econômicas e às expectativas sociais de sucesso e quando essas exigências se somam à falta de apoio emocional o sofrimento pode tornar-se intenso e invisível.
Entretanto, romper esse ciclo só será possível ampliando as campanhas de conscientização voltadas especificamente ao público masculino, incentivando o diálogo sobre saúde mental e fortalecendo o acesso aos serviços psicológicos e psiquiátricos. Essas campanhas precisam ir além das ações pontuais, promovendo uma mudança cultural que desconstrua a ideia de que o homem deve suportar o sofrimento em silêncio ou resolver sozinho seus problemas emocionais. É fundamental que a sociedade passe a compreender que demonstrar vulnerabilidade, falar sobre sentimentos e buscar ajuda profissional não representam sinais de fraqueza, mas atitudes de autocuidado, responsabilidade e coragem.
Além disso, o fortalecimento da rede de atenção à saúde mental deve envolver políticas públicas que garantam atendimento acessível, acolhedor e de qualidade, reduzindo as barreiras que dificultam a procura por assistência especializada. A capacitação dos profissionais de saúde para reconhecer sinais de sofrimento psíquico nos homens, bem como a criação de espaços de escuta qualificada em escolas, universidades, empresas e comunidades, também são estratégias indispensáveis para a prevenção do suicídio.
Outro aspecto relevante é o papel da família, dos amigos e do ambiente de trabalho. Muitas vezes, são essas pessoas que percebem as primeiras mudanças de comportamento, como isolamento, irritabilidade, abuso de álcool e outras drogas, perda de interesse pelas atividades cotidianas ou comentários frequentes sobre desesperança e falta de sentido na vida. Quando esses sinais são reconhecidos e acolhidos sem julgamentos, aumenta-se a possibilidade de encaminhamento precoce para o tratamento adequado, reduzindo significativamente o risco de agravamento do sofrimento psíquico.
Portanto, promover a saúde mental masculina exige um esforço coletivo que envolva governantes, profissionais de saúde, instituições de ensino, empresas, meios de comunicação e toda a sociedade. Somente por meio de ações integradas, baseadas na informação, no acolhimento e na ampliação do acesso aos cuidados em saúde mental, será possível romper o estigma que ainda impede muitos homens de buscar ajuda, contribuindo para a redução das taxas de suicídio e para a construção de uma sociedade mais empática e comprometida com a preservação da vida.
Portanto, discutir a saúde mental dos homens não significa minimizar os desafios enfrentados por outros grupos sociais, mas reconhecer que existe um problema real que merece atenção.
O silêncio imposto por padrões culturais continua custando milhares de vidas todos os anos. Promover uma cultura em que os homens possam falar sobre seus medos, fragilidades e emoções sem medo de julgamento é uma das formas mais eficazes de prevenir o suicídio e salvar vidas.
No entanto, cuidar da saúde física é amplamente reconhecido como um ato de responsabilidade e prevenção, consultas médicas periódicas, prática de atividades físicas e hábitos alimentares saudáveis são frequentemente incentivados e valorizados pela sociedade. Entretanto, o mesmo entendimento ainda não se aplica, com a mesma intensidade, aos cuidados com a saúde emocional, especialmente entre os homens. Muitas vezes, o sofrimento psíquico é minimizado ou interpretado como falta de força, o que faz com que inúmeros homens adiem ou até mesmo evitem procurar ajuda profissional.
Entretanto, cuidar da saúde emocional também deve ser compreendido como um sinal de maturidade e coragem. Reconhecer as próprias limitações é atitudes que demonstram autoconhecimento, responsabilidade consigo mesmo e compromisso com a própria qualidade de vida. Longe de representar fragilidade, essas ações evidenciam a capacidade de enfrentar as dificuldades de forma consciente e saudável.
Nessa perspectiva, preservar a saúde mental produz impactos positivos em diferentes dimensões da vida. Homens emocionalmente saudáveis tendem a estabelecer relações familiares e afetivas mais equilibradas, apresentam melhor desempenho profissional, desenvolvem maior capacidade para lidar com situações de estresse e contribuem para ambientes sociais mais acolhedores e respeitosos. Da mesma forma, o cuidado preventivo favorece a identificação precoce de transtornos como depressão, ansiedade e estresse crônico, possibilitando intervenções mais eficazes e reduzindo o risco de agravamento do sofrimento psíquico.
Nesse contexto, torna-se indispensável superar os estigmas historicamente associados à masculinidade, que ainda reforçam a ideia de que o homem deve ser sempre forte, resistente e emocionalmente inabalável. Construir uma nova compreensão sobre o cuidado com a saúde mental significa reconhecer que vulnerabilidade faz parte da experiência humana e que pedir ajuda é uma demonstração de coragem, e não de fraqueza. Somente quando esse entendimento for incorporado pela sociedade será possível promover uma cultura de acolhimento, prevenção e valorização da vida, contribuindo para a redução dos índices de sofrimento emocional e de suicídio entre os homens.
Orientamos que fiquem atentos às mudanças mesmo que muito tênues mas que estão gritando por ajuda em algum dos homens de sua família, sendo ele seu pai, seu irmão, seu tio ou seu amigo, ou até um vizinho seu, não é normal irritação constante, tristeza e solidão, acolher, ouvir, abraçar e não julgar, não precisa de conselhos padrões e sim de escuta e muitas vezes colo e atenção, parece frescura, parece besteira, mas não é, como disse o poeta Gonzaguinha “Um homem também chora…”