Prof. Juliano Heinzelmann Reinert
Gestão de Projetos e Infraestrutura de TI na prática!Juliano Heinzelmann Reinert é mestre em Engenharia de Produção com foco em inovação, especialista com MBA FGV em Gerenciamento de Projetos, graduado em Automação Industrial, também possui certificações em gestão e TI: CCTT, COBIT, Data Cabling System MCT Fluke, FCP Professional, FCP Fibras Ópticas, FCP Master, IAPM. Sua vivência profissional inclui 26 anos de experiência.
LinkedIn10 princípios que todo profissional de Infraestrutura de TI deveria saber, mas...
A infraestrutura de TI é muito mais do que instalar cabos, conectar switches ou montar racks. Os profissionais mais experientes sabem que uma rede eficiente nasce do planejamento, da padronização e da qualidade da execução. Muitas vezes, o usuário final nunca perceberá um bom projeto, mas certamente notará quando ele foi mal executado.
Ao longo dos anos, algumas lições tornam-se praticamente um "segredo de profissão". São detalhes que reduzem falhas, aumentam a disponibilidade da rede e evitam custos elevados de manutenção. Confira dez delas.
O “mas...” no título significa que se você profissional não souber estes princípios básicos, então recomendo voltar a estudar ou procurar um curso de atualização para o seu bem a fim de não passar por profissional “pica fio gambiarra” ou “enrolador”.
1. O cabeamento é responsável pela maior parte dos problemas da rede
Uma das maiores surpresas para quem inicia na área é descobrir que a maioria dos incidentes não está relacionada aos equipamentos ativos, mas sim ao meio físico. Cabos mal instalados, componentes incompatíveis, conectores inadequados e instalações fora das normas geram perdas de desempenho, desconexões e instabilidade.
Quem trabalha há anos na área sabe que investir em um cabeamento de qualidade é muito mais barato do que corrigir problemas depois.
2. Normas técnicas não são burocracia
Muitos profissionais enxergam as normas apenas como exigências de projetos. Na realidade, elas representam décadas de estudos, testes e padronização.
Seguir padrões como ANSI/TIA, ISO/IEC e ABNT garante interoperabilidade, desempenho e facilidade de manutenção. Além disso, facilita futuras ampliações da infraestrutura sem necessidade de grandes reformas.
Aqui um exemplo de aplicação de norma: tem profissional que acha que cabeamento categoria 5e ou 6 roda até 1 Gbps para 100m máximo; na realidade, sabemos que cat 5e vai até 2,5 Gbps e cat 6 vai até 5 Gbps por meio do padrão de norma IEEE 802.3bz. Em alguns casos, temos até categoria 6 rodando 10Gbps (mas limitado até 55m, TSB-155). Se o profissional não sabe como melhor aproveitar as opções, então não sabe gerar valor para a solução.
3. O projeto vale mais que a instalação
Instalar cabos é relativamente simples. Projetar, desenhar ou especificar corretamente é a verdadeira especialidade. Um bom profissional sempre analisa:
· crescimento futuro;
· capacidade de expansão;
· interferências eletromagnéticas;
· facilidade de manutenção;
· disponibilidade dos equipamentos.
Quem pensa apenas no presente normalmente entrega uma infraestrutura que rapidamente ficará limitada e defasada.
4. Nem todo cabo de rede possui a mesma qualidade
Visualmente, dois cabos podem parecer iguais. Na prática, entretanto, existe uma enorme diferença entre cabos certificados de cobre sólido e cabos CCA (Copper Clad Aluminum).
Os cabos CCA apresentam maior resistência elétrica, menor durabilidade e problemas principalmente em ambientes agressivos, como regiões litorâneas ou regiões úmidas. Um profissional experiente jamais escolhe componentes apenas pelo menor preço.
5. Blindagem só funciona quando instalada corretamente
Muitos acreditam que utilizar cabos blindados resolve automaticamente problemas de interferência, mas não resolve.
Se não houver aterramento adequado ou se os conectores corretos não forem utilizados, a blindagem pode até piorar a situação, funcionando como uma antena para interferências.
Esse é um detalhe conhecido apenas por quem realmente trabalha diariamente com infraestrutura.
6. Certificação da rede não é luxo
Entregar uma instalação sem certificação é como construir uma ponte sem realizar testes estruturais. Equipamentos certificadores verificam parâmetros como:
- perda de inserção;
- perda de retorno;
- diafonia (NEXT e FEXT);
- PS-NEXT;
- ACR;
- impedância;
- continuidade.
Somente após esses testes é possível afirmar que a instalação atende às especificações do fabricante e das normas internacionais.
7. Organização reduz horas de manutenção
Rack organizado não é questão estética. Identificação correta dos cabos, uso adequado de patch panels, gerenciamento dos patch cords e documentação da infraestrutura reduzem drasticamente o tempo necessário para localizar falhas.
Os melhores profissionais sempre pensam na pessoa que fará a manutenção daqui a cinco anos — que algumas vezes será o próprio instalador.
8. Fibra óptica é investimento, não custo
Muitos projetos ainda optam pelo cobre apenas pelo menor investimento inicial.
No entanto, redes ópticas oferecem vantagens significativas:
· maior largura de banda;
· maiores distâncias;
· imunidade a interferências eletromagnéticas;
· maior segurança;
· menor necessidade de manutenção;
· maior vida útil tecnológica;
· maior custo-benefício para redes com mais de 150 pontos.
Por isso, cada vez mais projetos corporativos utilizam fibra óptica como infraestrutura principal.
9. Equipamentos caros não compensam uma infraestrutura ruim
É comum encontrar empresas investindo milhares de reais em switches de última geração enquanto utilizam cabeamento antigo, mal instalado ou fora das especificações.
Nenhum equipamento consegue compensar um meio físico de baixa qualidade.
Na infraestrutura de TI existe uma regra simples: a rede sempre terá o desempenho do seu componente mais fraco.
10. O diferencial do profissional está no aprendizado contínuo
A infraestrutura evolui constantemente. Novas categorias de cabeamento, redes de 25, 40,100, 400, 800 Gbps, Data Centers, redes passivas ópticas (PON), automação predial, IoT e Inteligência Artificial estão transformando rapidamente o mercado.
O profissional que investe continuamente em certificações, treinamentos e atualização técnica passa a ser reconhecido não apenas como instalador, mas como consultor de infraestrutura.
A qualidade de uma infraestrutura de TI raramente depende de apenas um equipamento. Ela é resultado da soma entre planejamento, conhecimento técnico, componentes certificados, respeito às normas e boas práticas de instalação.
Os profissionais mais experientes sabem que excelência não está apenas na velocidade da rede, mas na confiabilidade, disponibilidade e facilidade de manutenção ao longo dos anos.
Em um mercado cada vez mais conectado, dominar esses detalhes deixa de ser apenas um diferencial técnico e passa a ser um requisito para quem deseja construir uma carreira sólida em infraestrutura de TI. Afinal, são justamente esses pequenos cuidados — muitas vezes invisíveis para o usuário final — que fazem uma rede funcionar com excelência.