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Jony Zatariano
Colunista

Jony Zatariano

Hobbies que Inspiram e Constroem

Jony Zatariano é um líder em marketing com sólida experiência internacional. Atuando como Head de Marketing em uma multinacional japonesa com mais de 130 anos de história, liderou a criação de centros globais de suporte e treinamento para a Furukawa, impulsionando a capacitação técnica em diversos países. Com dois MBAs – um em Estratégia de Marketing pela Fundação Getúlio Vargas (FGV) e outro em China Business & Economic Strategies for Managers pela The Chinese University of Hong Kong – alia conhecimento estratégico à aplicação prática em ambientes altamente desafiadores

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Hobbies que Inspiram e Constroem

Quando a Estrada, a Liderança e a Família se Encontram na Adversidade

Hobbies que inspiram e constroem

Quando a Estrada, a Liderança e a Família se Encontram na Adversidade

O que o furto do meu celular tem a ver com as competências que se constroem ao longo da vida?

No dia 26 de maio, em São Paulo, Moema, à 408 kms da minha casa, vivi uma situação que nenhum de nós espera enfrentar, mas que infelizmente muitos passam ou poderão passar por isso.

Enquanto aguardava um Uber em um local teoricamente seguro, na porta do hotel ao lado do segurança, tive meu celular furtado por um homem de bicicleta. Em poucos segundos, vi desaparecer não apenas um aparelho, mas uma extensão da vida moderna: contatos, acessos, aplicativos bancários, registros pessoais, compromissos profissionais e inúmeras informações que fazem parte da nossa vida.

O episódio trouxe um impacto emocional natural de quem se vê vulnerável diante de uma situação inesperada. A sensação de invasão, impotência e insegurança surge quase instantaneamente. Mas, passada a surpresa inicial, percebi algo importante: embora eu não tivesse controle sobre o acontecimento, eu tinha controle sobre a forma de enfrentá-lo.

E foi nesse momento que compreendi o valor de tudo aquilo que venho construindo ao longo dos anos, tanto na vida profissional quanto na vida pessoal.

Muitas vezes enxergamos hobbies, experiências de liderança, amizades e relações familiares como áreas independentes da nossa vida. Porém, quando somos colocados à prova, percebemos que elas se conectam e se transformam em forças para atravessar situações difíceis.

O motociclismo foi uma das primeiras fontes desse aprendizado. Quem pilota uma motocicleta sabe que o controle emocional não é uma habilidade opcional. Ele é uma questão de segurança. Em uma viagem, uma reação impulsiva diante de um obstáculo pode gerar consequências muito maiores do que o próprio problema. A estrada ensina a manter a calma, analisar rapidamente o cenário e tomar decisões conscientes.

Ao longo da vida, aprendi que o medo, a raiva ou a frustração não podem assumir o comando quando algo acontece fora do planejado. A mente precisa permanecer clara para que as decisões sejam assertivas. Foi exatamente essa disciplina emocional que me ajudou na primeira hora seguinte ao furto.

Em vez de permitir que a indignação dominasse minhas ações, concentrei energia no que precisava ser feito: informar alguém que pudesse me ajudar a atravessar aquela situação, bloquear acessos, proteger dados, contatar instituições financeiras, revisar mecanismos de segurança e reorganizar prioridades. A situação continuava difícil, mas a clareza emocional evitou que ela se tornasse ainda mais complexa.

Outro elemento decisivo veio da minha experiência como líder. Durante anos, tive a oportunidade de conduzir equipes, enfrentar desafios corporativos, administrar crises e tomar decisões em cenários de incerteza. A liderança ensina que nem sempre escolhemos os acontecimentos, mas sempre escolhemos nossa resposta a eles.

É importante entender que projetos mudam de direção, mercados oscilam, problemas surgem sem aviso, e que em todos esses momentos, a capacidade de manter a racionalidade é o que diferencia uma reação impulsiva de uma solução eficaz. Quando o celular foi furtado, percebi que estava diante de mais uma situação que exigia exatamente essa postura. Não havia espaço para paralisia. Era necessário agir com método, estabelecer prioridades e resolver uma etapa de cada vez.

Mas existe uma terceira força que se revelou ainda mais importante, a família e os amigos. Nenhuma formação acadêmica, experiência profissional ou habilidade desenvolvida ao longo da vida substitui a segurança emocional proporcionada por uma base familiar sólida, porque em situações traumáticas, as pessoas costumam buscar proteção, e essa proteção não está nos bens materiais, ela está nos relacionamentos.

O apoio recebido da família transformou um momento de vulnerabilidade em um processo de reconstrução emocional. Em vez de enfrentar sozinho a sensação de insegurança gerada pelo episódio, encontrei acolhimento, suporte e equilíbrio nas pessoas que fazem parte da minha vida.

Foi mais uma lembrança de que nosso patrimônio mais valioso não está nos dispositivos que carregamos, mas nas conexões humanas que construímos.

Ao refletir sobre tudo o que aconteceu, percebi que o furto do celular relembra que os nossos hobbies não servem apenas para ocupar o tempo livre, que a liderança não serve apenas para conduzir equipes e principalmente que a família e os amigos não existem apenas para compartilhar momentos felizes, e que cada uma dessas experiências nos prepara para enfrentar os momentos que não escolhemos viver.

Talvez o maior aprendizado de todos seja que as competências mais importantes da vida não são desenvolvidas para os dias fáceis. Elas são construídas para nos sustentar quando a vida nos coloca diante de situações inesperadas.

E, naquele dia, percebi que muito antes de perder um celular, eu já havia construído os recursos necessários para não perder aquilo que realmente importa: A minha capacidade de seguir em frente.

Reflexão

A vida não nos prepara avisando quando os desafios vão chegar. Ela nos prepara por meio das experiências que acumulamos ao longo da nossa jornada, para que possamos reagir da melhor forma quando eles chegam.

Imagem 1 do artigo: Mini currículo Jony Zatariano
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