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Psicólogo Wislen Paiva
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Psicólogo Wislen Paiva

Aprendiz de Psicologia

(Escritor, poeta, compositor, músico e discente de Psicologia. Especializando em musicoterapia).

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A DITADURA DA BELEZA E A SAUDE MENTAL

A DITADURA DA BELEZA E A SAUDE MENTAL

Por Wislen Paiva Vasconcelos

CRP – 11/19961

A beleza mudou muitos em seus conceitos e formatos nos últimos anos, e tudo isso acreditem, é regulado da maneira que os poderosos determinam, os padrões de beleza ao longo do tempo foram se adequando as normalizações sociais de cada época, e criando estigmas que perduram até hoje.

As diversidades das estéticas adulteram nosso corpo, em muitas vezes consentimos e até gostamos, em outras estamos tentando entrar num padrão ao qual somos cobrados e passamos a nos cobrar, e isso pode-se denominar em ditadura da beleza, muitas vezes ao sermos cobrados pela sociedade, esquecemos de valorizar o que temos, nosso corpo deve ser respeitado por nós mesmos, ele é nossa morada e ninguém deve aceitar imposições que afetem nossa saúde mental para beneficiar, ou se encaixar ao gosto alheio.

Esses padrões de beleza são oriundos de normas culturais pertinentes para quem busca se tornar atraente, ou desejável, ideais estéticos definidos pela sociedade, sendo uma busca constante que ao longo das décadas se aprimorou e evoluiu conforme os ideais da cultura local em cada época, fazendo imperar os padrões de beleza, e eles refletem apenas os valores estéticos sociais, atrelados as estruturas econômicas, sociais e culturais do lugar, onde aspectos físicos como o rosto e o corpo, o comportamento e as vestimentas são agregados ao valor de cada um intrinsicamente.

A opressão social a favor dessa ditadura, escraviza as pessoas, e antes isso só recaia sobre as mulheres, mas hoje, os homens começaram a sofrer os efeitos desta ditadura social, tendo que também estar em busca de se adequar aos padrões de beleza masculina atual, em tempos de redes sociais, buscas por seguidores, likes e compartilhamentos, onde a exposição dos corpos são fatores monetizadores, tudo isso ficou muito fútil e disseminado, nesta sociedade da urgência em tudo que vivemos, os famosos tempos líquidos.

Obvio, que esses padrões de beleza são alvos de muitas críticas, pois podem excluir pessoas, aprisionar uns, libertar outros, escravizar alguns, e quase nada realistas, sendo este conceito ligado aos meios de comunicação existentes e dominantes de cada época, onde as publicidades comandam e ditam regras, desde quando os meios de comunicação eram via revistas e jornais, até ir passando pelas rádios e tvs, até chegamos aos tempos atuais de internet e redes sociais.

Agora com a invasão dessas redes sociais no nosso cotidiano, trazendo uma chuva ininterrupta de “publis” tanto da indústria da beleza como do corpo diretamente aos seus alvos, como também usam o poder de influenciadores digitais e blogueiros que ao trazerem em suas “publis” atingem aos seus seguidores com mais eficiência e eficácia, vivemos numa sociedade muito pautada pela mídia, pelo consumo, pelo algoritmo que escravizam indiscriminadamente suas presas, se tornando um algoz feroz e faminto.

A padronização mundial dessa ditadura começou a ser de uma forma mais eficaz, já que antes era geograficamente impossível, em outros tempos, mas agora apenas com um feed, ou reals, ou stories, ou shorts publicados se atinge os alvos perseguidos pela indústria da beleza e do corpo de uma maneira mais instantânea.

“Por isso, entender sua evolução e como influenciam a sociedade é fundamental para promover uma visão mais inclusiva e saudável da beleza.” (Nerea Barbarro Rodrigues, 2025)

A evolução da beleza ao longo dos tempos pode ser assim considerada, na Pré-História, os padrões de beleza eram ligados a sobrevivência e a fertilidade, as figuras femininas desenhadas em cavernas tinham curvas que simbolizavam abundância e capacidade reprodutiva. Já na Idade Média, os ideais de beleza tinham traços vinculados à espiritualidade e moralidade, onde as mulheres da época tinham corpos esguios e pele pálida, as vestimentas eram reflexos da predominância religiosa.

Com a chegada do Renascimento a visão de beleza se alterou, os artistas da época em suas telas, sempre traziam a mulher de formas harmônicas e redondas, um ideal mais natural e saudável. Ao chegar nos tempos Barroco, a beleza tinha um padrão onde o uso de perucas e muita maquiagem davam o ar de riqueza e exuberância, atingindo também os homens e não só as mulheres como antes.

Na época Vitoriana, o decoro e a rigidez extrema traziam as mulheres a obrigação de silhuetas esguia e cinturas finíssimas, com o uso do espartilho, a pele sempre clara e bochechas rosadas, com um forte senso de moralidade. No Século XX com a influência dos avanços tecnológicos, a moda e a publicidade deu vez a figura andrógina e esguia, nos anos 50 as curvas femininas eram as tendências, onde o símbolo era Marilyn Monroe, nos anos 90 era o inverso, figuras magérrimas, modelos, top models de uma beleza singular, mas muito magras.

No século XXI tudo mudou, e os padrões são diversos e estão sempre em uma constante metamorfose, existe um movimento direcionado a inclusão e a diversidade, mas ainda existem padrões globais, onde as redes sociais e as “publis” visam empoderar a diversidade da beleza, em seus diferentes tipos de pele, cabelo, corpo, sexualidade, preferencias e gostos particulares, mas a comparação com os ideais de beleza de cada um e as cobranças internas transformam o dia a dia, numa batalha incomum em busca do “pseudo” corpo perfeito que se tem como referência

E com o boom dos treinos na academia, crossfit, lutas, surgiu uma tendência que a geração saúde lá nas décadas de 80 e 90 tentaram tanto fazer funcionar, mas não conseguiram, foram poucos adeptos. Nos dias atuais onde cuidar da saúde física reflete também na saúde mental, as academias estão lotadas, com todos em busca de um corpo sarado, barriga trincada, tanquinho, músculos, pernas, glúteo, unindo o útil ao agradável.

Devemos fazer uma visão mais crítica destes padrões que a sociedade impõe, para que você não começe a se cobrar para entrar nesta vibe, a superexposição de corpos tendem a gerar exclusão negativa, mesmo com surgimento de movimentos como body positivy e body neutrality, que promovem a aceitação mais ampla da diversidade corporal, afinal de contas a história sempre teve seus padrões de beleza refletidos pelos valores e prioridades de cada época.

“Estamos inseridos em uma sociedade pautada pela mídia que, por sua vez, estabelece padrões de beleza praticamente inalcançáveis. É esperado um corpo magro, cabelos maravilhosos, pele impecável, entre outros, tudo vale na busca da perfeição. Desse modo surgiu o conceito de ditadura da beleza”. (@psicanaliseclinica.com)

Uma busca desenfreada pelo corpo perfeito, pelo rosto perfeito, cabelos exuberantes, pele macia, entre outras coisas também levam pessoas a fazerem procedimentos estéticos de uma maneira perigosa, e algumas dessas pessoas chegaram a falecer durante ou após estes procedimentos, muitas vezes por falta de preparo e conhecimento dos profissionais, por falta de condições adequadas dos locais em que foram fazer essas intervenções, mas apesar disso, a indústria da beleza só cresce e escraviza a muitos pelo mundo todo, e ainda tem muitos que se arriscam por vários motivos, como o preço cobrado, indicação de outros que fizeram, propaganda enganosa mas muito bem feita, entre outras coisas, o que importa pra eles estar dentro do padrão desejado.

A indústria da beleza tem foco voltado para todos os gêneros atuais, mas obvio que o seu principal alvo é o público feminino, mesmo com a crescente procura do público masculino por novos hábitos, que incluem os cuidados estéticos ainda está muito longe do que o público feminino gasta com estética, os tópicos de maiores alcances são maquiagens, cosméticos, cirurgias estéticas, regimes entre outros cuidados.

Os aspectos fundamentais dessa ditadura da beleza são:

A beleza como uma moeda social, abrindo portas a qualquer custo, estreitando o laço entre beleza e poder.

A busca incessante pela beleza estética pode comprometer a sua saúde física e mental.

Apesar destes padrões culturais e estéticos que dominam a ditadura da beleza, é fato que a beleza está para os olhos de quem as vê.

Mesmo com a existência de muitos profissionais qualificados, tais como:

Médicos, endocrinologistas, nutricionistas, esteticistas, entre outros, mesmo assim a pressa em estar como se quer faz com que a pessoa não procure especialistas e vá se automedicando ou se auto avaliando.

Para a psicologia esses padrões estéticos influenciam em como nos vemos, e podem trazer com isso transtornos alimentares, como a Bulimia e Anorexia, Toc – Transtorno Obsessivo Compulsivo, Compulsões Alimentares, Ansiedade, Depressão, Dismorfia Corporal, Estresse, problemas com autoestima, sentimentos de inadequação, problemas com a autoimagem, por que quem não se sente dentro dos padrões e começa a se cobrar por isso, tende a fazer de tudo para se encaixar, e ai começam a ter compulsões por compras, endividamento que podem ser graves, comprometendo a família como um todo, por que também adoece aos que convivem com a pessoa.

Se você estiver passando por algo semelhante ou conhecer alguém que está indo por este caminho, procure ajuda imediatamente, terapia pode ajudar e muito na busca de aceitação, use sua rede de apoio, procure o Caps – Centro de Apois Psico Social, muitas vezes pode ser necessário uso de medicação, além da terapia.

REFERÊNCIAS:

Navarro, Simone. Ditadura Da Beleza: Uma Prisão Mental. Brasil. 2022. www.simonenavarro.com.br Disponível em: Ditadura da Beleza: uma prisão mental - Simone Navarro Acesso em: 12/04/2025 às 9h

Rodriguez, Nerea Barbarro. Como O Padrão De Beleza Mudou Ao Longo Do Tempo?. Brasil. 2025. www.br.psicologia-online.com Disponivel em: Como o padrão de beleza mudou ao longo do tempo? Acesso em: 12/04/2025 às 7h.

O Que É A Ditadura Da Beleza. Brasil. 2025. www.psicanaliseclinica.com Disponível em: O que é ditadura da beleza? - Psicanálise Clínica Acesso em: 12/04/2025 8h.