Revista Carreiras TI
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Prof. Robson do Nascimento
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Prof. Robson do Nascimento

Aprender-Desaprender- Reaprender

Professor do Instituto de Desenvolvimento Tecnológico da Fundação Getúlio Vargas (FGV), integrando mais de 30 anos de rigor militar em logística e tecnologia à vanguarda da educação digital. É responsável pelos projetos https://dataproject.com.br/ e https://reaprender.app.br/. Contatos: https://robson.pro.br/ e https://linkedin.com/in/robson-nascimento

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Estratégias para Aprender e Adaptar-se às Novas Tecnologias e Métodos – Parte II – Dez/2024

Estratégias para Aprender e Adaptar-se às Novas Tecnologias e Métodos – Parte II – Dez/2024

Em continuação ao tema sobre o Ciclo de Aprender, Desaprender e Reaprender, nesta edição iremos conhecer o testemunho de Carlos (*) e como ele desenvolveu estratégias de aprender para inovar, em nível pessoal.

Voltamos ao início do ano de 2020 e o mundo estava prestes a enfrentar um desafio sem precedentes, mas ninguém sabia disso ainda.

Nesse cenário, Carlos atuava como Desenvolvedor Sênior de sistemas em uma empresa de médio porte.

Carlos era competente no seu trabalho, mas como muitos de nós, tinha caído na armadilha da “zona de conforto”. Ele dominava as tecnologias que usava diariamente e não via motivo para se aventurar além disso. Afinal, o que poderia mudar tão drasticamente, certo?

Então, veio a pandemia da COVID-19 e o atingiu como um tsunami.

De repente, a empresa de Carlos precisou migrar todos os seus sistemas para a nuvem para permitir o trabalho remoto. O tráfego em seus aplicativos explodiu à medida que os clientes passaram a depender mais dos serviços online. E a necessidade de lançar novas funcionalidades e correções tornou-se mais urgente do que nunca.

Carlos se viu em meio a um turbilhão. Ele mal sabia por onde começar a utilizar os recursos de computação em nuvem (cloud computing).

Seu chefe, Chief Tecnology Officer (CTO), mencionava a necessidade de adotar com urgência uma arquitetura de microserviços.

Explicando...

Microserviços é uma abordagem arquitetônica para o desenvolvimento de software, onde a aplicação é dividida em pequenos serviços independentes e comunicantes. Cada microserviço é responsável por uma funcionalidade específica da aplicação, como autenticação, pagamento, envio de e-mail etc. Essa abordagem contrasta com a arquitetura monolítica, onde toda a aplicação é construída como um único bloco de código.

Carlos sentia-se como se estivesse tentando nadar em águas turbulentas sem saber nadar. Percebeu que estava diante de uma escolha: afundar ou aprender a nadar?

Ele escolheu “nadar”!

Começou dedicando algumas horas todos os dias para aprender sobre as duas principais plataformas de computação em nuvem disponíveis no mercado – a AWS (Amazon Web Services) e Azure (Microsoft Azure).

Carlos se estruturou da seguinte forma:

- Assistir a um vídeo tutorial sobre um serviço específico por 30 minutos, pela manhã.

- Ler a documentação oficial à tarde, por 30 minutos.

- Praticar os conceitos estudados em uma conta gratuita, construindo um projeto simples à noite (entre 1 e 2 horas).

Na primeira semana Carlos estudou os fundamentos da computação em nuvem e nas duas semanas seguintes procurou aprender sobre os serviços de computação e os conceitos básicos como IaaS, PaaS, e SaaS e armazenamento.

Aos poucos, o mundo do “cloud computing” começou a fazer sentido.

Enquanto isso, a equipe de Carlos lutava para manter o ritmo das demandas. Cada nova funcionalidade levava dias para ser implementada e testada.

Foi quando Carlos enfrentou o desafio de automatizar os processos de construção, testes e implantação de aplicações de software e buscou aprender sobre Integração Contínua (CI), Entrega Contínua (CD) e Implantação Contínua.

Ele passou noites estudando as ferramentas Jenkins e GitLab CI. Aprendeu sobre os testes automatizados e entrega contínua. Não foi fácil, houve noites de frustração e erros, mas Carlos persistiu.

Dois meses após a implementação dos processos de CI/CD, a produtividade da equipe havia dobrado. As funcionalidades que antes demoravam dias para chegar ao ambiente de produção agora levavam horas.

Empolgado com o progresso, Carlos decidiu aprofundar o conhecimento sobre os microserviços e viu como essa arquitetura poderia ajudar a empresa a escalar seus sistemas de forma mais eficiente, especialmente com a demanda flutuante causada pela pandemia.

A transformação não aconteceu da noite para o dia. Foram meses de aprendizado, erros e ajustes, mas ao final de 2020, a empresa de Carlos tinha os sistemas operando na nuvem, escalando automaticamente conforme a demanda.

Os processos de CI/CD permitiram lançamentos múltiplos por dia, com o mínimo de riscos. A nova arquitetura de microserviços tornava mais fácil adicionar e modificar funcionalidades.

No início de 2021 Carlos tornou-se o líder técnico da empresa, respeitado não apenas por seu conhecimento, mas por sua capacidade de aprender e se adaptar.

A história de Carlos nos ensina uma lição muito importante: no mundo da tecnologia, especialmente em tempos de crise, o conhecimento estagnado é conhecimento obsoleto.

Manter-se atualizado com as últimas tecnologias não é apenas uma questão de curiosidade intelectual - é uma necessidade de sobrevivência profissional. A pandemia foi um catalisador, mas a verdade é que o mundo da tecnologia está sempre evoluindo.

Aprender sobre computação em nuvem, DevOps e arquiteturas de microserviços não é apenas sobre adicionar esses termos ao currículo.

É sobre ter e saber utilizar as ferramentas para resolver problemas reais e complexos que surgem em momentos de crise e além.

É sobre liberar seu tempo e energia criativa para inovar, para pensar à frente, para ser proativo em vez de reativo.

Para reflexão:

Vocês estão dispostos a sair da zona de conforto, a abraçar o desconhecido, a aprender continuamente?

A próxima crise ou a próxima demanda urgente seja ela qual for, não vai esperar que estejamos prontos. A única forma de estarmos preparados é nos mantermos em constante evolução.

Em um mundo em rápida mudança, a maior habilidade que podemos ter é a capacidade de aprender novas habilidades.

Então, o que vocês vão aprender hoje?