Revista Carreiras TI
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Prof. Robson do Nascimento
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Prof. Robson do Nascimento

Aprender-Desaprender- Reaprender

Professor do Instituto de Desenvolvimento Tecnológico da Fundação Getúlio Vargas (FGV), integrando mais de 30 anos de rigor militar em logística e tecnologia à vanguarda da educação digital. É responsável pelos projetos https://dataproject.com.br/ e https://reaprender.app.br/. Contatos: https://robson.pro.br/ e https://linkedin.com/in/robson-nascimento

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Estratégias para Aprender e Adaptar-se às Novas Tecnologias e Métodos – Parte I – Nov/2024

Estratégias para Aprender e Adaptar-se às Novas Tecnologias e Métodos – Parte I – Nov/2024

Em continuação ao tema sobre o Ciclo de Aprender, Desaprender e Reaprender, iniciado na edição de setembro, neste artigo, vamos entender mais uma etapa do ciclo, apresentando exemplos de como aplicar ou adaptar estratégias de aprender para inovar, em nível pessoal.

Há pouco mais de quatro anos o mundo foi abalado pela pandemia da COVID-19.

O mundo girava em seu ritmo habitual, e nós, profissionais de TI, estávamos focados em nossos projetos, prazos e reuniões intermináveis. Mal sabíamos que em questão de semanas, tudo mudaria drasticamente.

Todos participamos de um tremendo desafio que transformou profundamente nossas vidas pessoais e profissionais.

Esse período nos forçou a adaptar rapidamente a maneira como trabalhamos, nos relacionamos e conduzimos negócios. As empresas e profissionais que conseguiram prosperar durante esse tempo demonstraram uma notável capacidade de resiliência e agilidade.

Aprendemos muitas lições naquele período.

Podemos listar algumas, como a importância da flexibilidade e da adaptabilidade; o poder da Tecnologia da Informação para manter as conexões, operações e funcionamento das empresas; reconhecemos a necessidade de priorizar a saúde mental e o bem-estar; valorizamos a colaboração e a solidariedade em tempos de crise; e as empresas reconheceram a importância de terem planos de contingência robustos.

Agora, olhando para o futuro, percebemos que o desafio continua, no sentido de incorporar essas lições aprendidas em nossas práticas cotidianas e nas estruturas organizacionais. A agilidade que desenvolvemos durante a crise da COVID-19 não deve ser vista como uma resposta temporária, mas sim como uma nova forma de operar no mundo pós-pandêmico.

Para os profissionais da área de TI isso implica em um compromisso contínuo com o desenvolvimento de habilidades, tanto técnicas quanto interpessoais. A capacidade de se adaptar rapidamente às novas tecnologias e metodologias de trabalho será cada vez mais valorizada.

Nesta e nas próximas edições veremos algumas estratégias para aprender para inovar, em nível pessoal, como profissionais das carreiras de TI.

O testemunho a seguir, de Edna, Desenvolvedora Sênior em uma Fábrica de software de uma empresa de tecnologia.

Quando a pandemia da COVID-19 surgiu, de repente, Edna se viu trabalhando de casa, tentando coordenar projetos com uma equipe dispersa, lidando com prazos cada vez mais apertados e demandas em constante mudanças. Muitos clientes precisavam colocar seus projetos online com urgência!

Nas primeiras semanas, foi um caos. Reuniões se estendiam por horas, tarefas se acumulavam, e a frustração crescia. Edna percebeu que precisava de uma mudança radical. Pensou que talvez fosse o momento de pensar em alternativas ao trabalho, como a adoção de metodologias ágeis. Mas, para ela isso era algo distante da realidade do seu dia a dia. Scrum? Kanban? Para ela esses termos existiam apenas nos livros e nos artigos do LinkedIn... Pensava: a empresa estaria preparada para isso?

Edna pesquisou sobre quais metodologias ágeis poderiam lhe ajudar, como desenvolvedora de software, para organizar o trabalho em equipe e entregar suas tarefas de forma mais rápida e flexível. Fez uma imersão na internet e decidiu estudar Scrum, Kanban e XP (Extreme Programming).

Explicando...

Scrum é uma metodologia ágil que se concentra em equipes autogerenciáveis e entregas frequentes.

Kanban é um método que se concentra na visualização do fluxo de trabalho e na limitação do trabalho em progresso.

XP (Extreme Programming) é uma metodologia ágil que se concentra em práticas de desenvolvimento de software extremamente flexíveis e colaborativas.

Edna começou com o Scrum, implementando sprints semanais com sua equipe. No início, houve resistência. "Mais uma reunião?", reclamavam alguns colegas. Mas Edna persistiu e ao final do primeiro mês, percebeu que a diferença era notável!

Via Zoom Meetings, passou a realizar as reuniões diárias (daily standups) de 15 minutos para manter todos alinhados. Planejou e executou os sprints semanais que permitiam que a equipe se adaptasse rapidamente às mudanças de prioridade. Adotou as retrospectivas ao final de cada sprint para criavam um ciclo de melhoria contínua.

Animada com os resultados, Edna decidiu ir além e implementou um quadro Kanban digital para visualizar o fluxo de trabalho da equipe e aos poucos introduziu práticas de Extreme Programming, como programação em pares (remotamente, claro).

O resultado?

O ano ainda era 2020 e em meio ao caos da pandemia, a equipe de Edna se destacou em produtividade. Enquanto outras equipes lutavam para se adaptar, sua equipe entregava os projetos no prazo, com alta qualidade e conseguia se ajustar rapidamente às necessidades da empresa.

A história de Edna não termina aí...

Percebendo o valor do que havia aprendido, ela decidiu obter a certificação de Scrum Master. Com o conhecimento adquirido, Edna não apenas liderou sua equipe, mas também ajudou outras áreas da empresa para adotar as práticas ágeis.

No final de 2021, quando a poeira da pandemia começou a baixar, a empresa reconheceu que a equipe de Edna estava muito à frente de outras equipes, em termos de agilidade organizacional. E tudo começou com uma desenvolvedora que decidiu abraçar a mudança e se aprofundar nas metodologias ágeis!

A pandemia foi um evento extremo, mas o mundo da tecnologia está sempre em fluxo de mudanças.

Antes foi uma pandemia, amanhã pode ser uma nova disrupção tecnológica, uma mudança regulatória ou uma crise econômica.

Que lições tiramos do exemplo de Edna?

O aprendizado e o domínio das metodologias ágeis não é apenas uma habilidade técnica, é uma mudança de mentalidade.

É a capacidade de se adaptar, de aprender continuamente e de liderar a mudança.

Como Edna descobriu, quando buscamos desaprender o que se tornou ineficiente e buscamos aprender novos processos, métodos, tecnologias e ferramentas, nos preparamos para a melhorar nossos processos de trabalho.

Estamos nos capacitando para enfrentar qualquer desafio que o futuro possa trazer.

Então, estão prontos para liderar a transformação ágil e preparar suas empresas para o futuro, seja ele qual for?

O mundo pós-pandemia continua precisando de profissionais de TI que não apenas codifiquem, mas que liderem, adaptem e inovem.

E tudo começa com a decisão de desaprender e aprender!

Aprender e abraçar a agilidade, não como uma metodologia, mas como um modo de vida profissional, significa estar preparado para aprender para inovar...

Na edição de dezembro veremos o exemplo de Carlos, como escolheu uma estratégia de aprendizado para desenvolver habilidades técnicas.

Até lá!