Jony Zatariano
Hobbies que Inspiram e ConstroemJony Zatariano é um líder em marketing com sólida experiência internacional. Atuando como Head de Marketing em uma multinacional japonesa com mais de 130 anos de história, liderou a criação de centros globais de suporte e treinamento para a Furukawa, impulsionando a capacitação técnica em diversos países. Com dois MBAs – um em Estratégia de Marketing pela Fundação Getúlio Vargas (FGV) e outro em China Business & Economic Strategies for Managers pela The Chinese University of Hong Kong – alia conhecimento estratégico à aplicação prática em ambientes altamente desafiadores
LinkedInNão é sobre perder. É sobre dar o melhor de si.
A Copa do Mundo termina. O aprendizado começa.
Quando o árbitro apita o fim da final da Copa do Mundo, o mundo conhece apenas um campeão. Mas, naquele mesmo instante, dezenas de outras histórias também terminaram. Histórias de preparação, disciplina, superação, renúncias, lágrimas e sonhos que, muitas vezes, começaram décadas antes do último jogo, aquele que eliminou o sonho de ser campeão.
A Copa do Mundo de 2026 entrou para a história ao reunir, pela primeira vez, 48 seleções. Nunca tantos países tiveram a oportunidade de viver o maior palco do futebol mundial, levando consigo milhões de torcedores, culturas, histórias e gerações inteiras que sonhavam em ver sua bandeira entre as melhores do planeta. Mas havia uma certeza conhecida por todos antes mesmo do primeiro apito: apenas uma seleção levantaria a taça. As outras quarenta e sete deixariam o torneio sem o título. Curiosamente, essa realidade jamais impediu qualquer equipe de se preparar durante anos, investir na formação de atletas ou acreditar que seria possível chegar ao último jogo. Porque quem entende o esporte sabe que participar de uma Copa nunca foi apenas sobre conquistar o troféu, mas é sobre representar uma nação, honrar uma trajetória e entregar, dentro de campo, a melhor versão de si mesmo.
Essa talvez seja uma das maiores lições que o futebol pode oferecer para a vida. Desde o primeiro dia da competição, todos sabiam exatamente como a história terminaria, mas ainda assim, ninguém deixou de entrar em campo, nenhuma seleção desistiu antes da estreia porque as probabilidades eram pequenas e talvez o mais importante, nenhum atleta treinou menos porque existiam outros favoritos. Porque o objetivo não é apenas vencer, o verdadeiro propósito sempre foi dar o melhor de si.
O futebol no Brasil faz parte da nossa identidade. Está presente nas ruas, nos bairros, nas conversas de família, nos almoços de domingo, nas escolas, nos bares e nas lembranças de infância. Crescemos aprendendo que uma bola pode unir desconhecidos, aproximar gerações e transformar um terreno vazio em um espaço de sonhos.
O futebol é uma das poucas linguagens capazes de fazer um país inteiro vibrar ao mesmo tempo.
Por traz de cada time existe um projeto, um planejamento, uma formação. Existem profissionais trabalhando durante anos para preparar os atletas fisicamente, emocionalmente e mentalmente. Existem erros corrigidos, derrotas transformadas em experiências e milhares de horas investidas.
A Copa do Mundo termina todos os anos para todas as seleções, exceto para uma, da mesma maneira: sem o troféu. Ainda assim, elas voltam, treinam novamente, corrigem suas falhas, desenvolvem novos talentos e recomeçam.
Essa lógica também vale para empresas, equipes e carreiras. Vivemos uma sociedade que celebra excessivamente quem vence e esquece rapidamente quem ficou pelo caminho. Nas redes sociais, vemos apenas os troféus, quase nunca vemos os treinos.
No ambiente corporativo, convivemos diariamente com metas não alcançadas, projetos cancelados, clientes perdidos, produtos que não deram certo e decisões que, olhando para trás, poderiam ter sido diferentes. Nenhuma empresa acerta sempre. Nenhum líder vence todas. Nenhuma equipe entrega cem por cento dos projetos com sucesso absoluto, e isso é normal.
O problema nunca esteve na derrota. O problema surge quando ela não produz aprendizado. A derrota serve para identificar oportunidades, não para procurar culpados, mas sim para buscar evolução.
É sempre importante lembrar que resultados passam, mas propósito permanece. Quando uma equipe sabe por que trabalha, ela encontra energia para continuar mesmo depois das derrotas.
Um líder não é reconhecido apenas quando sua equipe conquista resultados extraordinários, isso qualquer placar pode mostrar. O verdadeiro líder aparece quando o resultado não vem, é nos momentos de derrota que a cultura da equipe é colocada à prova, e é nesse instante que as pessoas observam menos o discurso e muito mais as atitudes. O líder define se uma derrota produzirá medo ou crescimento, se gerará culpados ou responsabilidade, se encerrará um ciclo ou dará início a uma evolução.
No fim, o legado de um líder não é medido apenas pelos campeonatos conquistados, mas pela forma como conduz sua equipe quando o placar é adverso. Afinal, resultados podem até definir quem venceu uma competição, mas é a liderança que define como um time reage às derrotas, transforma cada tropeço em aprendizado e encontra forças para voltar mais preparado. É assim que se constroem equipes resilientes, culturas fortes e histórias que permanecem muito depois do apito final.
A Copa do Mundo nunca foi uma competição para descobrir quem é perfeito, mas para descobrir quem conseguiu evoluir mais ao longo da jornada.
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