Psicólogo Wislen Paiva
Aprendiz de Psicologia(Escritor, poeta, compositor, músico e discente de Psicologia. Especializando em musicoterapia).
LinkedInATO E POTÊNCIA – A PESSOA ATÉ PENSA, MAS NÃO AGE.
ATO E POTÊNCIA – A PESSOA ATÉ PENSA, MAS NÃO AGE.
Por Wislen Paiva Vasconcelos Psicólogo Clínico CRP – 11/19961
Segundo Fiödor Dostoiévski no livro Crime e Castigo, “O que é que as pessoas mais temem? Um novo passo, uma palavra nova e própria, é isso que elas temem acima de tudo”, ou seja, fugir do novo e ficar na comodidade da rotina, a qual se acostumou e que mesmo que pareça estar como um ratinho num experimento cientifico, ainda assim, ela prefere continuar como está, sendo ela o próprio ratinho, do que sair pela abertura que tem na gaiola do experimento, afinal, ali ela encontra segurança, alimento, e isso parece ser muito bom e tudo que ela precisa
Sabe aquela sensação que o elefante adulto tem ao ser amarrado a um toco de madeira que facilmente ele conseguiria se libertar? Mas não faz isso por que desde cedo foi colocado amarrado há algo que ele nunca conseguiu se livrar, pois bem, agora o elefante passa a achar que não consegue por ter tentado por anos e nunca ter conseguido, então perceba, semelhante a isso, na sua mente existe uma força latente inconsciente que vem confirmar a você, que não vale a pena sair daquele cômodo lugar em que está, acaba não reforçando uma atitude que mude todo aquele contexto e sim lhe mantenha do mesmo jeito que está.
Na faculdade eu conheci e me tornei amigo de um dos melhores da turma, em QI, em capacidade de aprendizado, em memória, o homem parecia que tinha um HD infinito no cérebro, bastava ver uma aula e tudo ficava armazenado ali na “Cachola”, no “Quengo” dele, muito perfeccionista, irônico ao extremo, pecava pela procrastinação e se perdia pelo pensar e não agir, o duelo tênue entre o ato e a potência.
Podia-se perceber que era a mesma coisa que colocar uma Ferrari zero quilometro tinindo de nova nas mãos de um carroceiro (condutor de carroças a tração animal), o que acontecia ali naquela pessoa, eu não entendia e continuo sem entender até hoje, a pessoa se sabota tanto que não flui por pura falta de ambição e propósito (Vicktor Frankl diria que falta sentido de vida), uma vez, perguntei a ele, o que te falta para mudar tudo isso? Ele sem pestanejar respondeu, nada, tenho plena consciência de tudo isso e sei que preciso mudar, mas não tenho interesse.
Também na faculdade conheci outra pessoa e me tornei amigo e fã incondicional dela, torço por ela em todos os sentidos, mesmo sabendo de todas as dificuldades que ela enfrenta, vejo ela crescendo a cada dia em busca de seu proposito e metas, e olha que ela tem uma série de limitações que para muitos seriam motivos de desistir dos sonhos e projetos que traçou, mãe de um filho adolescente e atípico, que foi abandonada pelo marido para seguir sozinha com a sua vida mesmo com todo o fardo em suas costas, ela continua ali sem desistir, sem fraquejar, e sempre vem se aperfeiçoando ainda mais e galgando passo a passo os degraus que a vida lhe deu para subir, ela assim como o amigo citado acima, tem um QI absurdo, uma capacidade e uma memória inigualável, um HD infinito e eu sempre digo que ela só pode ser uma Extraterrestre, uma alienígena, nem sei como ela dá conta de tanta coisa, ali sim, você pode entregar a Ferrari nas mãos dela, mesmo que ela nunca tivesse dirigido um carro na vida, ela conseguiria dirigi-lo.
Pode-se dizer que no primeiro caso, o ego procura uma razão plausível para tudo isso, e nesta busca insana, ele trás sempre as dificuldades que o fizeram não concluir, desistir, como um mantra que o absorve daquele sentimento de culpa que afeta a todos, quando desisti de algo que seria importante e mudaria o curso de sua própria vida, mas que nele, não o move, não o afeta, não influi.
Existem estes extremos isso é fato, pessoas que conseguem de boa fazer tudo muito facilmente, e outras que não conseguem sair daquela mesmice, Carl Rogers (1902/1987), descreve que este fenômeno é uma incongruência, sendo ela a exata inadequação entre a experiência real e a imagem condicionada de quem você deveria ser para merecer valor, e tudo isso se opõe ao padrão estabelecido socialmente, canalizando a partir daí estereótipos que podem frustrar ainda mais o indivíduo, já que ele começa a perceber aquela diferença tênue entre o seu selfie-real e o selfie-imaginário, e ao perceber isso se perde e recua.
Uma outra pessoa que conheço, me relatou que não consegue ter a potência necessária, para tomar qualquer atitude que seja, principalmente quando está atitude seja alguma coisa que vá transformar e ou mudar qualquer coisa na sua própria vida, ela se apega a rotina tão facilmente que segundo ela, somente uma bomba atômica ou um tsunami a faria mudar o curso atual de sua vida, mudar aquele contexto de vivencia, existe um ditado popular que diz, “Quando não é 8, é 80”, em certos momentos, quando não tem mais jeito que dê jeito ela muda, mas logo se adapta a rotina nova tão facilmente como se adaptou nas anteriores e não aceita qualquer mudança, até se pergunta “pra quê isso?”.
Ela luta incessantemente contra si mesma para mudar o ciclo ao qual vive repetindo mesmo dizendo que não gosta e não quer ser assim, mas inconscientemente ela acaba por replicar os mesmo atos que acabam por ser um retrato fiel deste ciclo, e como nem todo dia tem tsunamis, e não se jogam bomba atômica por ai aleatoriamente, o fato é que ela vai sempre usar esta mesma dinâmica, justificando o que não tem justificativa alguma, só para não ter atitude e buscar a potência que precisa para conseguir mudar alguma coisa em sua vida, é a tal da incongruência já falada por Carl Rogers.
Continuar não acreditando que é necessário, que precisa, e continuar habitando a sua própria caverna pode ser o escape mental que viciou duas das pessoas que citei acima, assim como também querer sair desta caverna e vencer os obstáculos, atravessar o seu próprio deserto, carregando sua própria cruz é o que motivou e ainda motiva aquela que não quis habitar mais na própria caverna, que pensou e agiu para pôr em prática seus planos e assim quem sabe alcançar as metas traçadas para se chegar e construir um legado.
No texto publicado na nossa edição 67 volume 7 de maio de 2026 da revista carreiras ti, falei do Mito de Sísifo, e foi Albert Camus (1913/1960) em seu ensaio, que conseguiu ver além do óbvio, apesar de ser um fardo continuo, o que mantem o indivíduo em construção é sentir prazer também na rotina, saborear com prazer ter conseguido subir com aquela pedra ao topo da montanha todo dia, mesmo sabendo que amanhã tem que fazer tudo de novo, por que a vitória é diária, a luta é diária.
Burrhus Frederic Skinner (1904/1990) professor universitário que desenvolveu a Analise Comportamental muito usada na psicologia, segundo Skinner, o livre arbítrio é uma ilusão, muitos hoje colocam o livre arbítrio como um princípio básico para ação, ou para não fazer nada, afinal a escolha é da própria pessoa e as consequências geradas serão para ela no final, mas neste pensamento egoico, o indivíduo não consegue perceber que está doente e adoece os que estão ao seu redor.
Para Carl Jung (1875/1961) existem quatro funções psicológicas fundamentais que são: a sensação, o pensamento, o sentimento e a intuição e elas operam através do indivíduo sendo ele extrovertido ou introvertido, sendo que uma delas é mais latente, dominando o indivíduo e assim essa função é chamada de função superior sendo mais desenvolvida mesmo que inconscientemente, ficando as demais funções em segundo plano, mas elas continuam habitando o universo do inconsciente do indivíduo.
“Nascemos com uma herança psicológica, assim como a herança biológica. As duas são importantes para determinar traços de comportamento: “assim como o corpo humano representa um ‘museu de órgãos’, cada um com um longo período evolutivo por trás dele, devemos esperar que a mente também esteja organizada desta forma”, (Carl Jung)
Já Viktor Frankl (1905/1997) medico austríaco que durante a segunda guerra mundial esteve preso em um campo de concentração nazista e apesar de toda dor e todas as barbáries que presenciou buscou ali o sentido da vida e conseguiu sair de lá vivo, escreveu vários best-sellers sobre o assunto, mergulhou na psicologia fundando a logoterapia, segundo Frankl “o eixo central da existência é a
vontade de sentido. O ser humano não vive apenas para evitar a dor ou
maximizar o prazer, mas para responder a uma pergunta mais profunda: por
que viver?”
“Frankl sustenta que há também, no humano, uma dimensão irredutível de
liberdade e responsabilidade. Mesmo influenciado biologicamente, social- mente ou psicologicamente, o indivíduo não está totalmente determinado. Há sempre uma margem última de escolha. O campo de concentração tornou-se, paradoxalmente, o laboratório extremo dessa hipótese. Ele observou que prisioneiros que mantinham algum sentido — uma pessoa a reencontrar, uma obra a concluir, uma tarefa ainda por cumprir — apresentavam maior capacidade de resistir física e psicologicamente aos horrores diários que vivenciavam. Quando o sentido colapsava, a morte frequentemente se seguia em poucos dias. Não por acaso, ele frequentemente afirmava que: “Quem tem um porquê enfrenta quase qualquer como.” (Viktor Frankl)
Segundo a professora e filosofa Lucia Helena Galvão (1963), quando a pessoa pergunta a outra qual a estrada certa? A outra logo vai dizer, aonde você quer chegar? A estrada certa é a que lhe leva aonde você quer chegar, por que quem não quer chegar em lugar nenhum, não existe o certo e o errado, não tem o verdadeiro e o falso, por que pessoas sem sentido de vida, sem ideal humano nenhum, não tem discernimento algum para fazer essa reflexão básica, que é uma reflexão moral, do que é certo e o que é errado, já que isso é fundamentado na ideia central da identidade de ser e estar. A partir daí, entra-se no segundo estágio da reflexão que é o estágio filosófico, quando você tem que se pergunta em que momento da vida você foi verdadeiro? Você foi você mesmo? Em quem momento você se apresentou para as pessoas sem máscaras? Mostrando assim sua verdadeira face.
Essa falta de sentido na vida, falta de por que e pra que, que alguns indivíduos trazem dizem muito dos tempos atuais, onde o proposito foi banalizado e a ostentação e futilidade foi normalizadas, as pessoas perderam o senso, a sensibilidade e a razão, parece um mundo de loucos e de poucos, mas cabe a você desmistificar e resignificar tudo isso, pondo em prática o sentido ao qual você quer seguir na vida, o que você almeja? O que você sonha? O que você realmente quer na sua vida? Ter sonhos e planos para o futuro é uma das poucas coisas que podem fazer você se motivar para conseguir chegar nos resultados que lhe proporcionem a realizar seus sonhos e planos, a verdadeira motivação está dentro de você, busque-a.
REFERÊNCIAS
Almeida, Alexandre Moreira; Almeida, Caio Silva. Em Busca De Sentido: Viktor Frankl, Liberdade Humana E O Vazio Existencial Contemporâneo. Brasil. 2026. www.polbr.med.br Disponível em: https://www.polbr.med.br/2026/03/01/em-busca-de-sentido-viktor-frankl-liberdade-humana-e-o-vazio-existencial-contemporaneo/ acesso em 10/06/2026 às 9h.
Abdo, Humberto. 6 Reflexões Para Entender O Pensamento De Carl Jung. Revista Galileu. Brasil. 2026. www.revistagalileu.globo.com Disponível em: https://revistagalileu.globo.com/Ciencia/noticia/2017/02/6-reflexoes-para-entender-o-pensamento-de-carl-jung.html acesso em 10/06/2026 as 10h.