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Psicólogo Wislen Paiva
Colunista

Psicólogo Wislen Paiva

Aprendiz de Psicologia

(Escritor, poeta, compositor, músico e discente de Psicologia. Especializando em musicoterapia).

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"A Gente Mira No Amor E Acerta Na Solidão"

"A Gente Mira No Amor E Acerta Na Solidão"

Por Lya Victória Montenegro Paiva e Wislen Paiva Vasconcelos CRP 11/19961 Psicólogo Clínico, Escritor, Compositor, Músico, Colunista da @revistacarreirasti

Esse livro, trás a percepção do "óbvio", mas como assim? Se é óbvio, logo todos nós sabemos, certo? Mas na verdade, há muitas coisas que quando nos damos conta, já soltamos a frase, "Como que não percebi antes, estava tão na minha cara", há coisas em que preferimos não perceber, do quer enfrentar algo ruim que possa acontecer se soubermos, assim é também no amor, esse sentimento que hora ou outra pode nos trazer a solidão, a tristeza e a dor, por vários motivos inerentes, mas mesmo sabendo disso, preferimos deixar essa ideia de lado, e acabamos deixando acontecer. Segundo Ana Suy, mostra no livro que a solidão e o amor andam lado a lado, logo não podemos ter um, sem correr os riscos de termos o outro.

Sempre vamos amar sozinhos, mesmo estando acompanhado, seja com nosso próprio jeito, seja com nossa própria felicidade, mas de alguma forma sempre vai ter uma parte que é só nossa. E por ter presenciado experiências que vi de algumas amigas que tenho, que se chatearam com os seus parceiros, em seus relacionamentos afetivos, em vários motivos diferentes, em uma destas experiências vividas por uma de minhas amigas que chamou a atenção foi que, ela se queixava de “De não estar sendo amada da forma que queria ser amada”. As vezes criamos expectativas na vida, quando damos conta da realidade, acabamos sendo infelizes, pelo que planejamos ter sido frustrado.

“Amor será dar de presente ao outro a própria solidão? (Clarice Lispector)

É que temos a tendência em achar que se o outro não amar da mesma forma que a gente ama, não é amor, mas que pensamento egóico esse, não é? Claro que a forma que eu amo, o outro não tem como amar igual, muitas vezes essa não é a forma dele amar, e está tudo certo, até porque cada um tem seu jeito próprio, seja intenso demais ou não, cada um, ama do jeito que é, e não como queremos que ele seja, que ele ame, cada ser é único. Afinal como a autora disse "No amor a gente sempre comparece com a gente mesmo".

Percebi no livro como a gente escolhe por muitas vezes não ver as coisas mais óbvias, como o tempo, é até difícil entender que "As coisas levam tempo" temos sempre a ânsia em ter aquilo e acabamos deixando de lado o que nos leva até aquilo.

Vou trazer aqui um exemplo, uma amiga Bia (nome fictício), ela sempre sonhou muito em ter um carro, mas já demorou 1 ano e esse sonho ainda não se realizou, entretanto, ela já está trabalhando e juntando dinheiro por todo este tempo, logo, logo esse sonho estará mais próximo dela, certo?

Então, por que ela só enxerga o tempo que espera e não percebe que já está mais próximo em ter o carro do que a primeira vez em que ela pensou em ter um? É que sempre temos a infeliz tendência a perceber apenas aquilo que não está nos agradando do que todas as outras coisas boas que estão a nossa volta. É preciso entender que sempre estamos caminhando, mesmo que seja em passos lentos e o tempo não é o nosso, e nem é instantâneo como queremos que seja.

Lendo a obra, consegui dar conta que é preciso de uma certa quebra da realidade para realmente dar o valor a vida, como se deve, parece ser até, um pouco clichê, mas é necessário e real falar. Mas como é citado, algumas vezes no livro "é preciso que não sejamos tão lúcidos para que possamos aproveitar a vida".

“Por onde andei, enquanto você me procurava, e o que eu te dei? Foi muito pouco ou quase nada, e o que eu deixei, algumas roupas penduradas, será que eu sei, que você mesmo tudo aquilo que faltava? (Nando Reis)

Precisamos causar falta no outro para nos sentirmos amados, porquê? Quando você gosta de alguém e essa pessoa some, você sente falta? Normalmente sim, eu imagino. Mas quando deixamos de se colocar na posição do que foi deixado pelo “Ghosting” que recebemos, da pessoa que queremos é certo que, para ele, que sumiu, ele normalmente espera alguma reação da pessoa que ele deixou certo? Quando um casal termina um relacionamento, a mulher geralmente se torna a que mais deixa visível a falta que essa pessoa faz, ela sente com mais intensidade esta dor, enquanto o homem está priorizando transparecer que está bem e que nada está acontecendo, e o que você acha que a mulher que está sentindo toda aquela dor intensamente irá pensar vendo a pessoa que dizia a amar não está demostrando o mínimo de sofrimento?

Por que você me esquece e some? E se eu me interessar por alguém?

E se ela, de repente, me ganha? (Peninha)

Obvio que existem exceções, e tem casos que o homem que sofre o “Ghosting”, certamente a pessoa irá entender que amou sozinha (o) e que o indivíduo nunca teve algum sentimento pela pessoa, certo? Mas será que realmente o indivíduo em questão, nunca sentiu nada ou apenas queria que a pessoa estivesse sofrendo o mesmo que ela (e)? Será que este é o nosso grande problema? Se não vermos o sofrimento do outro, ele nunca amou? Desejamos que o outro sofra para ficarmos bem? Temos que enfim aprender uma coisa, que é preciso conseguir se sentir bem consigo mesmo (a), para entender que nem sempre aquilo que vemos é o que realmente é!

Ghosting: É um termo usado quando aquela pessoa com quem você estava se relacionando, saindo, conversando "some do nada"