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Prof. Juliano Heinzelmann Reinert
Colunista

Prof. Juliano Heinzelmann Reinert

Gestão de Projetos e Infraestrutura de TI na prática!

Juliano Heinzelmann Reinert é mestre em Engenharia de Produção com foco em inovação, especialista com MBA FGV em Gerenciamento de Projetos, graduado em Automação Industrial, também possui certificações em gestão e TI: CCTT, COBIT, Data Cabling System MCT Fluke, FCP Professional, FCP Fibras Ópticas, FCP Master, IAPM. Sua vivência profissional inclui 26 anos de experiência.

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Gestão de Projetos e Infraestrutura de TI na prática!

O gestor de infraestrutura que virou gestor de negócios:

O gestor de infraestrutura que virou gestor de negócios:

a nova carreira em TI

por Juliano Heinzelmann Reinert

Durante muitos anos, o profissional de infraestrutura de TI foi visto como alguém essencialmente técnico, responsável por manter servidores no ar, garantir conectividade, gerenciar storage e resolver incidentes. Seu valor estava associado à profundidade do conhecimento em ferramentas específicas, marcas, versões e comandos. Esse perfil foi fundamental em um período em que a tecnologia era complexa, cara e pouco acessível. No entanto, esse cenário mudou de forma acelerada — e 2026 marca um ponto de virada claro para a carreira em infraestrutura de TI e estamos no começo do ano, momento de pensar e replanejar.

Hoje, as empresas querem menos “especialistas de ferramenta” e mais líderes capazes de conectar tecnologia, negócios, risco e estratégia. O gestor de infraestrutura deixou de ser apenas um guardião técnico para se tornar um gestor de negócios com forte base tecnológica. Essa transformação não é modismo, é uma resposta direta às novas demandas corporativas.

Por que essa mudança acontece agora? 3 fatores principais explicam esse movimento.

O primeiro é a commoditização da tecnologia. Cloud computing, automação, infraestrutura como código e serviços gerenciados reduziram drasticamente a necessidade de conhecimento profundo em ferramentas específicas para operações básicas. Subir um servidor, configurar um ambiente ou escalar recursos já não é mais diferencial competitivo. E ainda temos a IA (inteligência artificial) que facilita tudo, basta perguntar.

O segundo fator é o aumento da complexidade decisória. Embora as ferramentas estejam mais simples, as decisões ficaram mais difíceis. Escolher entre cloud, on-premises ou híbrido, avaliar custos recorrentes, gerenciar contratos, mitigar riscos de segurança e garantir continuidade de negócio exige visão sistêmica — não apenas técnica.

O terceiro fator é a pressão por resultado financeiro. Em 2026, TI não é mais centro de custo invisível. Cada decisão de infraestrutura impacta diretamente OPEX, CAPEX, margem e competitividade. Por isso, empresas buscam gestores que falem a linguagem do negócio, que não sejam muito técnicos na hora de explicar, mas foquem suas energias nos resultados.

Hard skills que perderam relevância

Isso não significa que conhecimento técnico deixou de ser importante. Ele continua sendo a base. O que mudou foi o peso relativo de algumas hard skills.

Conhecimentos extremamente específicos e operacionais, como:

• administração profunda de um único conhecimento,

• domínio exclusivo de um fabricante,

• execução manual de tarefas repetitivas,

• foco excessivo em troubleshooting de baixo nível,

Já não diferenciam carreiras de liderança. Essas competências continuam existindo, mas estão cada vez mais automatizadas, terceirizadas ou distribuídas entre times.

Outro ponto importante é a dependência excessiva de certificações de ferramenta como único diferencial. Certificações continuam relevantes, mas não garantem mais crescimento profissional se não vierem acompanhadas de visão estratégica e capacidade de tomada de decisão. Alinhar a estratégia empresarial com as tecnologias é essencial.

Soft skills que viraram obrigatórias

Se algumas hard skills perderam protagonismo, as soft skills se tornaram essenciais para quem quer crescer em infraestrutura.

A primeira delas é a capacidade de comunicação. O novo gestor de infraestrutura precisa traduzir temas técnicos em impacto financeiro, risco operacional e valor para o negócio. Falar apenas com outros técnicos já não é suficiente.

A segunda é o entendimento financeiro. Ler um DRE (empresa ganhou ou perdeu?), compreender orçamento, justificar investimentos, calcular ROI, TCO e impacto de decisões arquiteturais no custo total virou parte do trabalho.

A terceira é a gestão de risco. Segurança da informação, continuidade, dependência de fornecedores, compliance e resiliência não são mais temas exclusivos de áreas específicas. O gestor de infraestrutura participa ativamente dessas decisões.

Por fim, destaca-se a liderança. Times híbridos, profissionais remotos, fornecedores externos e ambientes altamente dinâmicos exigem líderes que saibam priorizar, delegar, negociar e desenvolver pessoas.

O novo perfil do gerente de infraestrutura

O gerente de infraestrutura em 2026 é um profissional híbrido. Ele entende de tecnologia profundamente, mas não se define por ela. Seu papel é orquestrar decisões, não executar tarefas.

Esse novo perfil:

• participa do planejamento estratégico da empresa;

• influencia decisões de investimento;

• avalia riscos tecnológicos sob a ótica do negócio;

• define arquiteturas alinhadas a crescimento, custo e segurança;

• atua como ponte entre TI, finanças, jurídico e áreas de negócio.

Mais do que saber “como fazer”, ele sabe por que fazer, quando fazer e se vale a pena fazer.

Esse profissional também entende que dizer “não” faz parte do trabalho. Nem toda solução tecnicamente possível é financeiramente viável ou estrategicamente correta.

O que estudar em 2026 para seguir esse caminho

Para quem deseja se posicionar nessa nova carreira, o plano de estudos precisa ir além da tecnologia pura.

Em finanças para TI: garantir que investimento em tecnologia geram valor para o negócio, TCO, ROI, análise de custos, modelos de contrato e licenciamento, orçamento, forecast (o que vai acontecer no futuro para evitar surpresas).

Para a arquitetura e estratégia: Cloud híbrida e multicloud, arquitetura orientada a resiliência, infraestrutura escalável e sustentável, decisões baseadas em risco, não apenas em performance.

Para a governança e risco: segurança da informação, continuidade de negócios, compliance e LGPD, gestão de fornecedores.

Em gestão e liderança: gestão de times técnicos, comunicação com executivos, negociação e influência, gestão de mudanças.

Para visão de negócio: Entendimento do mercado da empresa, modelos de receita, cadeia de valor, impacto da tecnologia na competitividade.

Conclusão

A carreira em infraestrutura de TI está longe de acabar, porém mudou profundamente. O profissional que insistir em se definir apenas como especialista de ferramenta corre o risco de estagnação. Em contrapartida, quem ampliar sua atuação e assumir o papel de gestor de negócios com base tecnológica encontra um campo fértil de oportunidades.

Em 2026, o diferencial não está em saber mais informações técnicas, mas em tomar melhores decisões. O gestor de infraestrutura que entende de finanças, risco e estratégia deixa de ser apenas um suporte técnico e se torna um agente direto de crescimento e sustentabilidade do negócio.

Essa é a nova carreira em TI, mais desafiadora, mais estratégica e, sem dúvida, mais relevante do que nunca! Aproveite a oportunidade.