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Psicólogo Wislen Paiva
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Psicólogo Wislen Paiva

Aprendiz de Psicologia

(Escritor, poeta, compositor, músico e discente de Psicologia. Especializando em musicoterapia).

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A FEBRE DOS DIAGNÓSTICOS NOS TEMPOS ATUAIS

A FEBRE DOS DIAGNÓSTICOS NOS TEMPOS ATUAIS

Por Wislen Paiva Vasconcelos CRP – 11/19961 e Gleice Soares Magalhães

Apesar de já ter se passado algum tempo desde a pandemia da Covid-19, seus efeitos continuam fortemente presentes na sociedade contemporânea. O chamado “mundo pós-pandemia” trouxe mudanças significativas nas formas de viver, trabalhar, se relacionar e compreender a própria existência. Muitas dessas transformações tornaram-se determinantes no cotidiano das pessoas, influenciando comportamentos, valores e prioridades.

No entanto, quando se trata da saúde mental, observa-se que, desde então, o equilíbrio emocional e o senso de racionalidade têm sido frequentemente colocados à prova. As experiências de isolamento, perda, incerteza e sobrecarga emocional vividas durante o período pandêmico deixaram marcas profundas, e, em muitos casos, ultrapassam os limites da razão e do bom senso. O resultado é uma sociedade mais ansiosa, exausta e emocionalmente fragilizada, na qual o sofrimento psíquico ganhou novas formas de expressão e visibilidade. A população em geral, no mundo todo ficou mais ansiosa e depressiva, isso é fato, em todos os estudos mais recentes, ficou visível que a população desenvolveu ou potencializou vários transtornos mentais além da ansiedade e a depressão, aos quais muitas pessoas nem sabiam que existiam tais transtornos, tais como: Síndrome de Bournout, de Pânico, Transtorno Borderline,TAG, TOD, entre outros que pouco se ouvia falar.

As pessoas que já tinham conhecimento de seus transtornos mentais e que, em muitos casos, se encontravam em acompanhamento psicológico e/ou psiquiátrico, vivenciaram durante a pandemia uma intensificação significativa de seus sintomas. Mesmo aquelas que realizavam terapias regulares e faziam uso de medicação, depararam-se com o agravamento de suas condições em virtude do isolamento social, da instabilidade emocional e das incertezas vividas no período.

De acordo com Bezerra Jr. (2018), a sociedade contemporânea vive um processo de “psicologização da vida cotidiana”, no qual comportamentos, sentimentos e dificuldades próprias da existência humana passam a ser interpretados à luz de categorias clínicas. O sofrimento, que outrora era compreendido no campo da moral, da religião ou das relações sociais, hoje é frequentemente traduzido em termos médicos e diagnósticos. Essa tendência é reforçada pela expansão dos manuais classificatórios, como o DSM-5 (American Psychiatric Association, 2014), que ampliaram o número de transtornos reconhecidos, contribuindo para uma “medicalização do normal”.

Nesse novo cenário, o CAPS, que por muito tempo foi visto apenas como um espaço voltado a casos graves, ganhou maior visibilidade e legitimidade social. O aumento da demanda foi tão expressivo que muitos serviços passaram a registrar filas de espera até para atendimentos não emergenciais, evidenciando tanto o avanço na conscientização sobre saúde mental quanto os desafios estruturais para atender a essa nova realidade. Pois, antes da pandemia, esses serviços ainda eram fortemente marcados por estigmas sociais. Procurar um psicólogo ou psiquiatra era, muitas vezes, associado à ideia de “loucura”, o que afastava grande parte da população do cuidado adequado. A pandemia, entretanto, contribuiu para desmistificar essa concepção.

Segundo Birman (2021), vivemos uma “cultura do sofrimento nomeado”, em que as pessoas buscam legitimidade e pertencimento através de diagnósticos, numa tentativa de dar sentido às próprias angústias.

Dessa forma, com os transtornos mentais, fobias e traumas sendo mais divulgados nas redes sociais principalmente, atestou que não estar bem emocionalmente e ter que cuidar de seus traumas e transtornos, não é questão de ser louco e sim ser prudente, consciente de suas fragilidades e necessidades, por que o corpo grita quando a mente não está bem, pois a angustia vem e é afetada pela psique de cada um.

“Houve um aumento de doenças psiquiátricas, a saúde das pessoas ficou bem comprometida até os dias atuais” afirma a entrevistada, Dra. Rebeca Rocha, que atua no Hospital Universitário Lauro Wanderley, em João Pessoa.

Afinal, vivemos uma situação extremamente inédita e que nunca antes foi imaginada em nossos tempos modernos, uma loucura imensurável, tivemos confinamento, medo de contaminação, mortes em grande escala, corrupção nos meios públicos onde muitos se aproveitaram da oportunidade para corromper, ganhar dinheiro com superfaturamento de itens de alta necessidade para época, entre outras coisas.

Muitos adoeceram não apenas em decorrência da infecção, mas também em função do sofrimento emocional causado pelo contexto de crise. O isolamento, a sensação de impotência e o luto constante provocaram um impacto profundo na saúde mental da população. Outros, que perderam familiares e amigos, tiveram de enfrentar uma dor agravada pela impossibilidade de rituais de despedida e pela falta de apoio emocional adequado.

Com tudo isso só podia mesmo ter um aumento gigantesco de transtornos mentais, fobias, já que o bem-estar emocional da população foi afetado durante aquele isolamento e o pós pandemia foi algo ainda mais complicado, adoecedor, não sei se posso dizer assim, mas penso que por sorte, tivemos muita divulgação na tv, redes sociais, internet, já que muitos artistas de tv, cinema, música, influenciadores digitais, jogadores de futebol, esportistas, jornalistas, e pessoas da sociedade mais abastadas, que começaram trazendo seus depoimentos e maneiras com que passaram por este período sombrio, e os tratamentos e terapias as quais estão submetidos para vencerem estes transtornos potencializados pelo que houve, estiveram em podcasts, entrevistas, debates, palestras muito divulgado toda a preocupação com a saúde mental.

“Muitas pessoas passaram por perdas, o que agrava esse cenário. Houve uma privação de velar seus entes-queridos, um luto em um contexto totalmente atípico e duradouro”. Melo, Ana Sarah; França, Isla de; Marques, Maria Clara.

Entretanto uma coisa também foi potencializada com o pós-pandemia, que foi a febre cada vez mais atenuada dos diagnósticos prontos e estigmatizando de uma maneira errada por causa dos transtornos mentais, observo que tudo é ansiedade e depressão, todo fim de relacionamento é por que fulano ou cicrano é tóxico, narcisista, toda e qualquer divergência pessoal virou uma guerra descomunal, e a síndrome da Gabriela virou moda recorrente, “Eu nasci assim, eu cresci assim, vou ser sempre assim...”

Enquanto na Inglaterra os transtornos mentais diminuíram aqui no Brasil que já tínhamos um índice alto, passou-se a ter 4 entre cada 10 indivíduos com ansiedade segundo a OPAS – Organização Pan-Americana de Saúde. Além de um crescimento de 90% de casos de depressão, trazendo uma sobrecarga ao sistema de saúde nunca antes visto nestes cuidados com a saúde mental. Por sorte tivemos o advento das consultas online que foram um achado para os pacientes e profissionais no pós pandemia (falamos deste assunto na edição anterior da @revistacarreirasti).

“Saúde mental não significa apenas a ausência de transtornos psicológicos, mas sim ao bem-estar dos indivíduos, que está diretamente ligado ao comportamento deles. As sequelas da Covid-19 foram tão fortes que há quem diga que se vive uma segunda pandemia, agora das emoções”. Melo, Ana Sarah; França, Isla de; Marques, Maria Clara.

Mas a tal da pandemia das emoções que é uma realidade atual e cada vez mais forte que no ano anterior, ainda assim, não tem de jeito algum, nenhuma credibilidade para este excesso de diagnósticos prontos como vemos hoje em dia, precisamos estudar caso a caso para se ter qualquer probabilidade de transtorno confirmada como deve ser, não se deve se automedicar, nem se autodiagnosticar, precisa-se procurar os profissionais competentes e fazer o processo como deve ser feito.

Já tive consulta que o paciente apenas queria um laudo e/ou declaração de que ele estava com ansiedade e/ou depressão para poder tirar algum tipo de vantagem, mas na sessão não se notava problema algum que fosse para se poder dar um laudo que seja, também ficou nítido que os casos de TEA – Transtorno do Espectro Autista tiveram um aumento significativo, muitos chegam a dizer que foi por causa da pandemia, mas posso afirmar que não, o que houve foi uma preocupação mais nítida e uma conscientização que o dever de cuidar ficou mais acentuado e obvio que as crianças com TEA tiveram durante o isolamento mais dificuldade pois o cenário de isolamento tirou-lhe o direito de socialização, e assim se viu uma mobilização acentuada pelas mães de filhos atípicos em busca de ajuda e tratamento como não se viu antes.

O excesso de diagnósticos prontos existentes hoje em dia cria uma banalização para algumas situações que levam a crer que a saúde mental é uma doença fake, ou fabricada por muitos que nem estão doentes só querem levar alguma vantagem com estes diagnósticos.

“Ainda há um longo caminho a ser percorrido e melhorado pois, a banalização dos transtornos mentais ainda existe, basta abrir os comentários de alguma publicação nas redes sociais que retrate o tema para ver o desconhecimento e o preconceito das pessoas acerca desse tema tão primordial”. Melo, Ana Sarah; França, Isla de; Marques, Maria Clara.

No entanto, o problema não é o diagnóstico em si, mas a supervalorização de seu uso, esquecendo que o sujeito tem suas peculiaridades e anseios e que nem tudo se resume a um transtorno mental. Conforme Moreira e Guimarães (2020), o risco está em reduzir o sujeito ao rótulo diagnóstico, negligenciando sua singularidade, sua história e contexto social. Pois, a psicologia contemporânea, especialmente sob a ótica da Análise do Comportamento e das abordagens humanistas, propõe uma postura crítica diante desse cenário.

Para Skinner (1953), compreender o comportamento humano requer analisar as condições ambientais e funcionais que o mantêm, e não apenas rotular o comportamento como um “transtorno”. Dessa forma, o desafio atual é equilibrar o uso criterioso dos diagnósticos com uma escuta clínica sensível às singularidades evitando a cristalização de identidades patologizadas e promovendo assim, o cuidado integral.   Pois, a “febre dos diagnósticos” expressa uma tensão entre os avanços técnicos-científico e a necessidade de resgatar a dimensão humana, ética e contextual da prática psicológica, mais do que rotular, é necessário compreender o sujeito em sua singularidade, reconhecendo que o diagnóstico deve servir como instrumento de cuidado e não como uma identidade fixa ou para obtenção de vantagens.

A verdadeira saúde mental implica não apenas tratar sintomas, mas também promover autoconhecimento, vínculos, empatia e condições de vida mais humanas. Pois somente assim, será possível equilibrar o avanço técnico da psicologia e/ou da psiquiatria com a sensibilidade ética do cuidado que o ser humano necessita.

REFERÊNCIAS:

MELO, ANA SARAH; FRANÇA, ISLA DE; MARQUES, MARIA CLARA. Doenças Mentais No Pós-Pandemia: Saúde Mental E Seus Desafios. Brasil. 2024. www.jornalismodedadosufpb.com Disponível em:  https://www.jornalismodedadosufpb.com/post/doen%C3%A7as-mentais-na p%C3%B3s-pandemia-sa%C3%BAde-mental-e-seus-desafios acesso 23/10/2025:11h.

AMERICAN PSYCHIATRIC ASSOCIATION. Manual diagnóstico e estatístico de transtornos mentais – DSM-5. Porto Alegre: Artmed, 2014.

BEZERRA JR., B. Subjetividade contemporânea e sofrimento psíquico. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2018.

BIRMAN, J. Mal-estar na atualidade: a psicanálise e as novas formas de subjetivação. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2021.

MOREIRA, V.; GUIMARÃES, M. Diagnóstico e subjetividade: uma crítica às práticas contemporâneas de medicalização. São Paulo: Cortez, 2020.

SKINNER, B. F. Ciência e comportamento humano. São Paulo: Martins Fontes, 1953.