Revista Carreiras TI
Imagens: 0 Texto: 6080 chars
Prof. Juliano Heinzelmann Reinert
Colunista

Prof. Juliano Heinzelmann Reinert

Gestão de Projetos e Infraestrutura de TI na prática!

Juliano Heinzelmann Reinert é mestre em Engenharia de Produção com foco em inovação, especialista com MBA FGV em Gerenciamento de Projetos, graduado em Automação Industrial, também possui certificações em gestão e TI: CCTT, COBIT, Data Cabling System MCT Fluke, FCP Professional, FCP Fibras Ópticas, FCP Master, IAPM. Sua vivência profissional inclui 26 anos de experiência.

LinkedIn
Gestão de Projetos e Infraestrutura de TI na prática!

Data Center: a importância do planejamento e execução bem elaborada da infraestrutura

Data Center: a importância do planejamento e execução bem elaborada da infraestrutura

por Juliano Heinzelmann Reinert

Com o crescimento exponencial da geração e consumo de dados nos mais diversos setores da economia, a infraestrutura de tecnologia da informação (TI) tornou-se um pilar essencial para a continuidade e competitividade das organizações. Nesse cenário, os Data Centers desempenham um papel estratégico ao centralizar, armazenar, processar e proteger grandes volumes de dados de maneira segura, eficiente e escalável.

O avanço da transformação digital, o aumento da demanda por serviços em nuvem, a necessidade de alta disponibilidade e a adoção de tecnologias emergentes — como inteligência artificial, internet das coisas (IoT) e big data — reforçam a importância de estruturas físicas e lógicas que garantam a estabilidade operacional dos sistemas de informação. A construção ou modernização de um Data Center torna-se, portanto, uma iniciativa indispensável para garantir o suporte adequado às operações e à inovação tecnológica dentro das organizações.

Portanto, o Data Center é o núcleo da infraestrutura tecnológica de qualquer organização moderna. Mais do que abrigar servidores e equipamentos de rede, ele é o ambiente responsável por processar, armazenar e garantir a disponibilidade das informações que movem o negócio.

Este artigo destaca como as diretrizes contribuem para o desempenho, segurança, escalabilidade e confiabilidade de um Data Center.

Normas e Conceitos Fundamentais

O projeto de um Data Center deve respeitar normas internacionais e nacionais que estabelecem parâmetros mínimos de qualidade e segurança, estamos falando sobre a relevância de normas como a ANSI/TIA-942-C e as ABNT NBR 14565, 16415, 16665 e 16869, que tratam do cabeamento estruturado e da infraestrutura física.

Essas normas definem requisitos de redundância, disponibilidade, classificação dos ambientes e parâmetros de cabeamento. A aderência a elas assegura que o Data Center atenda às demandas atuais e futuras, evitando gargalos tecnológicos e reduzindo riscos de downtime.

Principais Espaços de um Data Center

De acordo com a ANSI/TIA-942-C, o Data Center é organizado em áreas distintas, cada uma com função específica:

ER (Entrance Room): sala de entrada, conectando o cabeamento interno às operadoras.

MDA (Main Distribution Area): ponto central de distribuição e manobras de rede.

IDA (Intermediate Distribution Area): cross-connect intermediário em salas de servidores.

HDA (Horizontal Distribution Area): conecta equipamentos intermediários às áreas finais.

ZDA (Zone Distribution Area): ponto opcional para interconexões rápidas, geralmente sob o piso elevado.

EDA (Equipment Distribution Area): área de servidores, storages e switches.

A definição e correta implementação desses espaços garantem organização, escalabilidade e facilidade de manutenção.

Topologias de Conexão

Temos diferentes topologias de interligação entre os espaços MDA e EDA, cada uma com vantagens e desvantagens:

Centralizada (Cross-connect): simples, de menor custo, mas pouco escalável.

Top-of-Rack (ToR): switches no topo dos racks, reduzindo cabos, porém aumentando consumo energético.

End/Middle of Row (EoR/MoR): switches no final ou meio das fileiras, equilibrando cabos e gerenciamento.

A escolha depende do porte do Data Center, do nível de redundância requerido e da densidade de equipamentos.

Arquiteturas de Rede

A arquitetura de rede é a espinha dorsal da comunicação no Data Center. Temos:

Arquitetura em Camadas (Core, Agregação, Acesso): tradicional, usada em Data Centers pequenos e médios.

Arquitetura em Múltiplas Conexões: típica de ambientes de cloud computing e hyperscale, com redundância e alta largura de banda.

Arquitetura Spine-Leaf (Fat Tree): predominante em Data Centers médios e grandes, garantindo escalabilidade e baixa latência.

Essas arquiteturas influenciam diretamente o desempenho e a confiabilidade da infraestrutura.

Componentes de Cabeamento

O cabeamento estruturado é a base de um Data Center confiável. Os principais componentes apresentados são:

Ópticos: fibras monomodo e multimodo, sistemas pré-conectorizados e cassetes de alta densidade.

Cobre: cabos e patch cords CAT.6A, conectores blindados e soluções sustentáveis da linha Green.

Acessórios: racks, guias, calhas plásticas e patch panels que otimizam a organização e protegem contra curvaturas excessivas.

Projetos, Implantação e Certificação

Um projeto eficiente deve considerar não apenas a escolha dos produtos, mas também sua correta implantação:

Boas práticas: planejamento com diagramas low level, limpeza de conectores ópticos, correta acomodação de cabos e identificação clara.

Certificação: testes em canais ópticos e de cobre asseguram a conformidade e ativam a garantia estendida de até 25 anos.

Gestão: a figura do Supervisor de Cabling é essencial, integrando cliente, projetista, coordenação e fiscalização para garantir continuidade e qualidade.

Capacitação de Profissionais

A qualificação da mão de obra é um pilar do sucesso. Na segunda parte deste artigo vamos falar neste detalhe que vai fazer toda a diferença.

Conclusão

Um Data Center eficiente não é resultado apenas de bons produtos, mas da integração entre normas, planejamento, execução e capacitação profissional. Normas garantem conformidade, espaços bem definidos asseguram organização, topologias e arquiteturas adequadas sustentam a escalabilidade, e a certificação atesta a confiabilidade.

Agradeço as contribuições de Kleiton Alves dos Santos para este artigo, ele ressalta também que antes tínhamos estruturas dentro das empresas, já hoje em dia estas estruturas de Data centers ficam em ambientes compartilhados ou externos na maioria das vezes.

Em um cenário de crescimento exponencial do tráfego de dados, a construção de Data Centers preparados para o futuro é um diferencial competitivo. Permite reduzir custos, aumentar a eficiência operacional e, principalmente, garantir a alta disponibilidade, requisito central de qualquer infraestrutura crítica.