Psicólogo Wislen Paiva
Aprendiz de Psicologia(Escritor, poeta, compositor, músico e discente de Psicologia. Especializando em musicoterapia).
LinkedInTERAPIA NO DIVÃ, ON LINE OU COM IA – INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL, QUAL VOCÊ PREFERE?
TERAPIA NO DIVÃ, ON LINE OU COM IA – INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL, QUAL VOCÊ PREFERE?
Por Wislen Paiva Vasconcelos CRP – 11/19961
e Gleice Soares Magalhães
Quando eu era criança assisti a um filme chamado Westworld, Onde Ninguém Tem Alma, um filme de 1973 com Yul Brynner, um verdadeiro clássico de ficção cientifica de hollywood, neste filme, um megaempresário criou uma cidade fictícia que se ambientava no velho oeste americano, onde pessoas muito ricas pagavam uma estadia, num tipo de parque temático, neste lugar, eles iam para lá, e lá iriam viver uma experiência da época do faroeste, nesta cidade todos os habitantes eram robôs cibernéticos, que foram criados para satisfazer e servir aos turistas que iam para aquele parque de diversões em que se ambientava o filme, dentro deste cenário, o caos começou a reinar quando os robôs criaram consciência própria e um deles, passou a liderar os outros, começando uma revolta e ou motim, onde passaram a atacar e matar os turistas, os perseguindo dentro daquela cidade e nesta rebelião eles queriam dominar aquela cidadela, e passaram a ser assim os algozes de todos aqueles turistas, matando-os impiedosamente.
Quase 30 anos depois daquele filme, nasceu um remake em formato de série pela Warner - HBO/MAX em 2016, foram 2 temporadas e esta série foi estrelada por Rodrigo Santoro e Anthony Hopkins, tendo durante sua exibição bastante sucesso e repercussão, vindo com algumas adaptações e modernizações para o século XXI, o atual parque temático ainda era ambientado no velho oeste americano, apesar de que em alguns episódios figuraram em outros ambientes como na Alemanha nazista da segunda mundial, e assim como no filme original ao qual esta série se inspirava, o sucesso da série não foi o esperado e ela acabou se perdendo no esquecimento pouco tempo depois, nela os roteiristas seguiram o enredo trazido no filme original, mas o que chamou atenção mesmo foi, os efeitos visuais e toda a tecnologia que usaram para conduzir as histórias de cada episódio.
Existe um fascínio latente do homem pelas maquinas desde o início de suas criações, e o medo de que as maquinas cheguem a dominar a humanidade, e castigue a todos, de uma certa maneira sempre esteve entre os pensamentos e pesadelos dos cientistas que criaram essas máquinas, tantos aqueles que criaram as primeiras máquinas cibernéticas, quanto os novos criadores do século XXI, não escaparam destes pensamentos e pesadelos mesmo com o passar do tempo e a chegada das novas tecnologias, 10 anos depois fico pensando tudo que seria criado para esta série se ela fosse produzida hoje em tempos de IA – Inteligência Artificial.
Desde s criação do primeiro protótipo de máquinas no mundo, até a chegada na era robótica, esse medo de que o homem sairia de dominador a dominado pelas maquinas que criou, ficou cada dia mais palpável e possível, saindo do inverossímil contexto de antes, visto em filmes como Exterminador Futuro com o astro Arnold Schwarzenegger por exemplo, confirmando de uma certa maneira a probabilidade trazida pelo primeiro filme que trouxe a temática, no caso o Westworld.
Hoje, percebemos que fomos enfim escravizados pelas máquinas, de um certo modo ao qual nem percebemos o poder que elas estão exercendo em nossas vidas, com seu algoritmo a dominação das máquinas, além de te manipular e te induzir a fazer coisas as quais talvez você não fizesse antes, faz com que isso aconteça e você ainda ache que quem domina é você e não o algoritmo (as máquinas), mas, por sorte, elas as máquinas, no sentido cibernéticos, robótico, ainda não estão neste patamar de consciência trazido pelas telas do cinema, muito longe disso, já que ainda não se rebelaram contra a humanidade como previu os autores do filme e da série. Será que é uma questão de tempo? Já que logo, logo, o homem vai criar talvez até sem querer, os robôs com inteligência própria, e essas maquinas e ou robôs terão com todo certeza a mesma vontade que assola a humanidade desde que o mundo é mundo que é dominar, conquistar, exercer e ter o poder nas mãos, colocando o mundo e a todos os seres humanos que estão nele aos seus pés.
Então vamos para a vida real, com a chegada do Skype, Meet, Wattssap e Teams surgiu na psicologia a terapia online, que se intensificou durante a pandemia de covid-19 em 2020, por vários aspectos se viu necessário e possível a terapia ter e conseguir migrar facilmente para este tipo de atendimento, que mudou significativamente muito o estilo presencial no divã, o que era antes visto no setting terapêutico, se transportou para a tela de um celular ou notebook, e com toda certeza ajudou e muito tanto aos pacientes com seus transtornos que se potencializaram durante a pandemia num grau muito grande, como também ajudou aos terapeutas, psicólogos, que assim conseguiram trabalhar durante este período de pandemia, já que não se podia ter os mesmo tipos de atendimento presencial como antes, foram quase 2 anos assim, mas mesmo com o fim dela, as terapias online ainda estão acontecendo, e num volume bem maior até do que há quase 4 anos atrás, desta vez por outros aspectos, tais como: valores mais baixos, disponibilidade de ir e vir ao consultório, praticidade, fobias potencializadas como a síndrome de pânico, entre outras coisas.
Eu já fiz consultas online, não gosto muito disso, acho que não flui e nem tem uma eficiência e eficácia tão positiva e assertiva quando a terapia presencial no divã, mas, compreendo a importância da existência deste tipo de atendimento e a necessidade desta maneira de se conseguir cuidar da saúde mental, tão necessária como é hoje em dia. Com a chegada IA – Inteligência Artificial, as coisas neste sentido terapêutico tomaram um rumo um pouco fora do usual e comprovadamente correto que é a terapia no divã, muitas pessoas por falta da disponibilidade financeira, ou de tempo, além da facilidade de ter na palma das mãos o aparelho que possibilita isso a qualquer hora e em qualquer dia da semana, acabam por preferirem uma consulta com a IA.
Porém, também existe o fator das fobias as quais o atendimento online facilita ao paciente, aqueles que tem dificuldade de estar cara a cara com o terapeuta, por qualquer motivo que seja, sendo este motivo um gerador de conflitos ou não que venha a facilitar a esquiva ou fuga da terapia em alguns casos. Algumas táticas que nós terapeutas podemos usar como profissional da saúde mental, dentro do atendimento a um paciente, na minha opinião não tem o mesmo efeito na terapia online quanto tem na terapia no divã, táticas que levam o paciente a ser confrontado e ou instigado para alguma iniciativa mais positiva em busca de suas melhorias, para que o paciente consiga conviver melhor dentro de seu caos interno, a terapia no divã tem como facilitador o uso de dinâmicas que só são possíveis no setting terapêutico.
Segundo Schnyder, a psicoterapia é uma das terapêuticas mais eficazes em Medicina. Na mesma direção, Wampold já referia que, considerando-se as revisões e metanálises sobre o tema, poderia estimar que o tamanho do efeito deste tratamento é de cerca de 0,80. A prova disto é a sua inclusão no rol dos procedimentos e eventos em saúde da ANS - Agência Nacional de Saúde, tornando-a um benefício cuja cobertura é obrigatória aos usuários de planos de saúde desde 2008 (Resolução Normativa 167/02 – ANS). Pois, segundo estudo realizado em uma instituição pública de saúde, os principais motivos para busca de psicoterapia são: humor depressivo (53%), ansiedade (53%), problemas conjugais (53%) e familiares (47%), stress/somatização (12%), anorexia/ bulimia (12%), perda de peso (6%), álcool e drogas (24%).
Entretanto, hoje vivemos os tempos cada vez mais líquidos como previu anos atrás Zigmunt Baumman, e com a chegada definitivamente na nossa vida da IA – Inteligência Artificial, as coisas melhoram em alguns aspectos, mas pioraram vertiginosamente em outros, os profissionais de saúde, psicólogos, terapeutas, psiquiatras, médicos entre outros começaram a ser substituídos pela IA, numa velocidade incomum, já no caso da psicologia, isso ficou muito pior, por que o estigma criado pela sociedade de que só vai a psicólogo quem é doido, que pagar para conversar com um estranho não vale a pena, ficou bem mais intensificado ao ponto de muitos destes profissionais serem substituídos pela IA, já que o custo passou a ser zero, e tudo que tem de conhecimento teórico a IA tem em seus arquivos.
Porém, a pesquisadora Fernanda Bruno, que coordenou um dos primeiros estudo sobre o assunto no Brasil, destaca que os usuários optam pelos aplicativos como terapeutas, por ser acessível a todos os públicos, estando disponível o tempo inteiro, sem julgamentos, além de obter respostas rápidas, ainda as tem de forma gratuita. No entanto os psicólogos lembram que, ao contrário de um profissional, a IA não tem formação, não faz diagnóstico e não consegue lidar com crises graves. Pois, "Não existem evidências de que possa haver psicoterapia realizada por IA. Porque a IA não foi programada para isso", alerta Alessandra Santos de Almeida, presidente do Conselho Federal de Psicologia (CFP). Segundo Fiorini, a psicoterapia de apoio busca reduzir ansiedades em momentos de crise, descompensação e atenuar ou mesmo suprimir sintomas. Neste sentido, conforme o mesmo autor, o terapeuta tem uma posição mais ativa dentro do setting, adotando uma postura mais diretiva e tranquilizadora visando não estimular o estabelecimento de vínculos transferenciais profundos que possam dificultar o diálogo entre terapeuta e paciente. E dessa forma, como na análise psicanalítica, na psicoterapia de orientação psicanalítica, objetiva-se o insight, através do qual o paciente terá a possibilidade de elaborar conflitos inconscientes,
Muitos hoje em dia na terapia, só querem desabafar, falar, ser ouvido, não pensam e as vezes nem querem buscar uma melhora e possível cura, mas apenas sentir-se acolhido de uma certa maneira para que consigam perceber-se reconfortados e aceitos, uma espécie de validação que no divã o paciente é impelido a fazer, a IA tem um toque de coaching que o terapeuta não disponibiliza em seus atendimentos para os seus pacientes.
Já imaginou o que Freud, Jung e Lacan, três das principais figuras centrais na história da psicanálise, achariam disso? Se para uma boa psicoterapia é necessário dialogo respeitoso com boas perguntas feitas pelo terapeuta ao paciente, perguntas essas elaboradas para ajudar o sujeito a se reformular e questionar o momento em que está vivendo. Perguntas essas trazidas pelo conhecimento e estudo durante todo o percurso vivido pelo terapeuta até chegar em seu Setting, e isso tudo ser descredibilizado por uma máquina que apesar de teoricamente ter as possíveis respostas que o paciente procura, não terá nunca como diferenciar a ansiedade e ou depressão sentida por um paciente, do mesmo transtorno sentido por outro, já que vai generalizar ambas as narrativas tentando achar a fala a dizer dentro de um padrão de respostas já existente em seus arquivos.
Porém, a IA não questiona mais segue todas as suas ordens sem pestanejar e ainda pergunta o que você quer mais, além de não questionar as suas escolhas. Esse mecanismo é muito perigoso por que se isso veio para ficar, vai ser muito ruim, por que a resposta imediata da IA pode tornar a terapia convencional para pessoas que utilizam a máquina com frequência, algo aversivo e sem efeito, pois o profissional não vai ter as respostas prontas, pelo contrário, o setting terapêutico chama o indivíduo a pensar, a refletir, e se reestruturar dentro do contexto de novas possibilidades. E, uma pesquisa americana revelou que entre as pessoas que usam IA, essas afirmam ter algum problema de saúde mental, metade delas usam robôs como um tipo de regulador emocional,
O sujeito psicologicamente frágil encontra no virtual uma forma rápida de aplacar sua solidão, sem necessariamente pensar no que está lhe causando sofrimento". Para a pergunta que inicia as conversas com o ChatGPT, as respostas mais frequentes, segundo um estudo da Harvard Business Review, são: "Me sinto sobrecarregado", "Tenho medo do futuro" ou "Não consigo mais dormir". O principal problema do chatbot é que ele é programado para te enaltecer o tempo inteiro. É um programa que visa um reforço egóico, e isso gera o empobrecimento das nossas relações sociais e mentais.
Em uma pesquisa realizada, com base em 5.600 pessoas entre 15 e 29 anos, na França, um quarto dos jovens está deprimido, diante desse sofrimento psicológico, cada vez mais jovens recorrem à inteligência artificial em vez de profissionais, uma tendência que preocupa especialistas em saúde mental. Após um caso de suicídio nos EUA, a OpenAI, proprietária do ChatGPT, anunciou nessa última terça-feira de agosto a implementação de um mecanismo de controle parental. Já que está cada vez mais comum jovens, adolescentes e crianças usarem a inteligência artificial para fazer terapia.
Enfim, creio ser necessário algum tipo de regulação do governo quanto a esse tipo de ação via IA, antes que aconteça algo pior, terapia só deve ser feita com profissional qualificado, que estudou e se dedicou para poder entregar seus serviços em favor do bem- estar de seus pacientes.
REFERÊNCIAS
https://g1.globo.com/fantastico/noticia/2025/09/15/nao-existem-evidencias-de-que-possa-haver-psicoterapia-realizada-por-ia-alerta-psicologa.ghtml
https://isec.psc.br/a-integracao-da-inteligencia-artificial-no-atendimento-psicologico/
https://www.cloudcoaching.com.br/inteligencia-artificial-na-terapia-vantagens-e-desvantagens/#google_vignette
https://www.estadao.com.br/saude/se-voce-usa-ia-para-terapia-veja-5-recomendacoes-de-especialistas/
https://fabricadecriatividade.com.br/ia-nos-atendimentos-psicologicos/
https://tecnohub.tec.br/inteligencia-artificial-na-terapia/
https://psicurtir.com.br/o-futuro-da-terapia-com-ia-avancos-beneficios-e-limites-eticos/
https://academiadopsicologo.com.br/mais/afinal-o-que-e-o-setting-terapeutico/
file:///C:/Users/i9/Downloads/zeluiz,+Simp2-Psicoterapias%20(3).pdf
https://www.terra.com.br/noticias/mundo/europa/inteligencia-artificial-como-apoio-emocional-preocupa-especialistas-diante-de-casos-de-depressao-entre-jovens,4764d372caf2f710a730ab03f64f30d1x5x61gh8.html?utm_source=clipboard