Prof. Juliano Heinzelmann Reinert
Gestão de Projetos e Infraestrutura de TI na prática!Juliano Heinzelmann Reinert é mestre em Engenharia de Produção com foco em inovação, especialista com MBA FGV em Gerenciamento de Projetos, graduado em Automação Industrial, também possui certificações em gestão e TI: CCTT, COBIT, Data Cabling System MCT Fluke, FCP Professional, FCP Fibras Ópticas, FCP Master, IAPM. Sua vivência profissional inclui 26 anos de experiência.
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Por que fazemos o que fazemos?
por Juliano Heinzelmann Reinert
É uma questão que passa por muitas escolhas e renúncias, especialmente na vida de um professor e pesquisador. Este mês comemoramos o dia do professor, que é dia 15 de outubro, vamos falar de um assunto que poderíamos levar mais a sério se o desejo for transformar este país para um novo patamar: a educação e a influência de um professor na vida das pessoas.
Vou falar em relação a minha experiência que começou de forma nada planejada, mas experimentada. Sou da área de engenharia, uma área que envolve muita informação e cálculos porque é uma ciência exata, percebi logo lá na graduação, especialmente no final que o grande problema das pessoas que estão nesta área de engenharia está no fato que sabem e conhecem bastante, mas não sabem se comunicar ou transmitir confiança para quem está recebendo a informação.
Então pensei que o grande diferencial seria saber apresentar, saber transmitir o conhecimento, persuadir, convencer e motivar quem ouve a informação. Em resumo, consegui quebrar a barreira na prática com a apresentação de meu trabalho de final de curso da graduação apresentando um tema inédito, inclusive os professores de minha banca não acreditavam ou não conseguiam ver o real potencial do tema (somente 1 professor acreditava), em 2004 apresentei um tema que era levar a TI para as máquinas industrias e com isso aumentar a comunicação e inteligência no processo, precisei treinar muito o “poder de convencer” porque para a maioria dos professores na banca que iriam avaliar meu trabalho esta ideia não fazia sentido, acontece que a visão deles estava alienada ao passado e presente, no final consegui passar e me formar, mas esta experiência me deixou uma lição, a comunicação é poderosa e pode mudar as crenças limitantes das pessoas, inclusive de alguns professores!
O que aconteceu anos depois? A Alemanha em 2010 lançou a “indústria 4.0” exatamente na ideia que apresentei meu trabalho em 2004, ou seja, comunicar as máquinas industriais com a TI, extrair dados, trabalhar os dados com inteligência artificial para ter inteligência no processo industrial. E 6 anos antes tive que fazer um grande esforço para convencer que esta ideia era importante, esta experiência me ensinou que a pesquisa, visão e forma como você se comunica são essenciais para convencermos e termos sucesso.
Mas voltando para 2007 logo após formado, eu precisava de uma experiência fora da casa dos meus pais, então decidi morar em Florianópolis, lá também trabalhar e continuar os estudos> Além de trabalhar procurei também alguma forma de transmitir do conhecimento, lá iniciei os primeiros contatos porque eu queria ser instrutor oficial da Furukawa (hoje em dia Lightera), mas não consegui imediatamente porque não precisavam no momento, no ano seguinte tentei novamente e consegui iniciar toda a preparação que durou 6 meses de estudos para estar apto a começar a lecionar para este fabricante líder em conectividade com 62% de participação no mercado principalmente em cabeamento de cobre e fibra óptica. Então comecei oficialmente em setembro de 2007.
Mas ainda estava em dívida com meu grande sonho que era ter uma experiência fora do Brasil, como a minha área era muito forte na Alemanha, procurei então fazer um planejamento para também atuar em uma empresa que tivesse relação com o país, aí surgiu uma empresa (que na época, encontrei um anúncio em um jornal local) estavam procurando candidatos para uma vaga de trabalho, após algumas reuniões eu consegui aprovação e como estavam começando no Brasil eu precisei ir morar na Alemanha por durante quase 4 meses, foi exatamente que eu queria! Lá aprendi muitas coisas que nem tinham ainda no Brasil como redes industriais, padrões abertos de programação de máquinas, também integração de sistemas.
Mas o maior aprendizado foi quando cheguei ao Brasil, precisávamos mostrar aos futuros clientes que o produto era bom e inovador, então fiz materiais, cursos e treinamentos que na prática chegaram a quase 1000 páginas de conhecimento.
Até o momento estava focado em aplicações, mas o meu grande despertar para a minha verdadeira vocação foi quando o líder desta empresa me disse que precisava organizar um treinamento para algumas pessoas interessadas. Então fui organizando este material para ensinar aos outros e nesta experiência eu descobri uma grande vocação, ensinar as pessoas, imediatamente pensei em voltar a atuar como instrutor oficial Furukawa porque era o que eu mais gostava.
Fui atrás da minha verdadeira vocação, sai desta empresa da Alemanha após quase 2 anos e voltei a atuar como instrutor oficial e viajar para atender várias cidades, em paralelo também lecionar para graduação e pós graduação, então estava oficialmente 100% na área de educação.
No meu caso, então tudo começou lá na minha apresentação final da graduação, depois de um sonho em ser instrutor oficial da Furukawa e se confirmou com uma demanda de treinamentos em uma empresa, onde fui convidado a treinar os clientes, e foi ali que percebi o real impacto de minha atuação.
O simples ato de ensinar, de compartilhar conhecimento, tem o poder de transformar a forma como as pessoas percebem o mundo e se relacionam com ele. Cada sessão de treinamento não era apenas uma transmissão de conteúdo, mas uma oportunidade de gerar reflexões, despertar novas habilidades e até mesmo mudar suas trajetórias. Como pesquisador, essa experiência se aprofundou, pois vi que, por trás de cada aula ou pesquisa, existe um propósito maior: gerar mudanças significativas na vida dos outros, proporcionar um entendimento mais profundo e contribuir, mesmo que de forma indireta, para o progresso coletivo. A motivação de ensinar e investigar está na crença de que, ao impactar positivamente uma pessoa, criamos uma cadeia que pode reverberar em múltiplas dimensões.
Aqui alguns impactos que o professor faz na vida das pessoas:
- Facilita o conhecimento;
- Influência no desenvolvimento social;
- Influencia no comportamento e valores;
- Desenvolve e cria o encorajamento;
- Motiva e inspira;
- Prepara para o futuro;
- Ajuda a vencer desafios e perspectivas.
Desde setembro de 2007, após 18 anos me dedico como instrutor oficial, e isso tem me ensinado bastante também, que a vida de um profissional depende de um ensino de qualidade e que o sucesso na carreira depende principalmente de atitude, estudo e persistência, sem estas 3 palavras não temos sucesso, não somente para a área de infraestrutura e gestão, mas para qualquer área de atuação.
Eu acompanho a evolução de muitos de meus alunos, e vejo que quem está disposto a ter atitude, saber onde quer chegar, estudar e persistir com certeza consegue chegar lá.
Hoje em dia além de me dedicar como instrutor oficial do grupo Furukawa com criação de conteúdos e treinamentos em cabeamento estruturado, fibras ópticas, cidades inteligentes, datacenter, gestão de infraestrutura também atuo como professor de pós graduação e consultorias.
Concluo que tudo começou de forma inesperada lá na graduação, depois a vocação por transmitir conhecimento e isto só reafirma a convicção de que ensinar é uma missão que transforma não apenas os alunos, mas também quem ensina. Cada experiência, cada aula e cada treinamento foram também aprendizados, mostrando que o conhecimento ganha valor quando é compartilhado e pode impactar vidas. Sigo acreditando que, ao inspirar uma pessoa, abrimos portas para mudanças muito maiores do que podemos prever, e é isso que me motiva a continuar, com paixão e propósito, nessa caminhada pela educação.