Prof. Robson do Nascimento
Aprender-Desaprender- ReaprenderProfessor do Instituto de Desenvolvimento Tecnológico da Fundação Getúlio Vargas (FGV), integrando mais de 30 anos de rigor militar em logística e tecnologia à vanguarda da educação digital. É responsável pelos projetos https://dataproject.com.br/ e https://reaprender.app.br/. Contatos: https://robson.pro.br/ e https://linkedin.com/in/robson-nascimento
LinkedInEstratégias para Desaprender e Adaptar-se às Novas Tecnologias e Métodos – Out/2024
Estratégias para Desaprender e Adaptar-se às Novas Tecnologias e Métodos – Out/2024
No artigo da edição do mês de setembro abordamos sobre o Ciclo de Aprender, Desaprender e Reaprender e vimos sua importância para o desenvolvimento contínuo dos profissionais de TI. Neste artigo veremos a importância de desaprender para inovar.
A importância de desaprender para inovar é, na verdade, algo profundamente humano. É a capacidade de questionar o que aprendemos, de nos libertar de crenças e hábitos enraizados, que nos permitirá alcançar novos patamares de crescimento, tanto em nível profissional quanto pessoal.
Muitas vezes, tanto em um ambiente profissional ou na vida pessoal, nos vemos presos a processos que não são mais eficientes ou mantemos alguns padrões de comportamento que não nos servem mais.
Desaprender esses hábitos e estar abertos a novas formas de viver, de se relacionar, de lidar com os desafios, é o que nos permite evoluir como seres humanos.
Quando isso ocorre, é hora de “virar a chave” e ao invés de se agarrar aos hábitos arraigados, desaprender e adotar uma nova mentalidade pode ser o gatilho para romper com paradigmas estabelecidos.
Desaprendendo no contexto profissional
As organizações são “organismos vivos” e enfrentam transformações e mudanças constantes ao longo do tempo. Os processos, as técnicas e as abordagens que antes nos serviam tão bem podem, com o passar do tempo, se tornar obsoletas e perder sua eficácia. Isso é algo tão comum em nossas vidas, não é mesmo? Aqueles métodos de trabalho que dominávamos com maestria, os jeitos de fazer as coisas que aprendemos ao longo dos anos, de repente já não se encaixam tão bem na realidade atual.
Quando nos permitimos desaprender, nós, como profissionais, conseguimos nos adaptar com muito mais agilidade a essas constantes transformações. Isso nos possibilita adotar novos métodos, ferramentas e tecnologias que, por sua vez, nos impulsionam a inovar.
Afinal, nada é mais gratificante do que se sentir capaz de se reinventar, de acompanhar as transformações do mundo ao redor. E essa habilidade de desaprender e se adaptar rapidamente é verdadeiramente admirável.
Desaprendendo no contexto pessoal
À medida que nossa carreira e interesses pessoais evoluem, é natural que precisemos renunciar a certas habilidades e conhecimentos que outrora foram tão úteis. Esse processo de desaprendizado nos abre as portas para adquirir novas competências, mais alinhadas com as demandas atuais. E é nessa fase de transformação que encontramos oportunidades para inovar em nossa trajetória profissional.
Os hábitos, crenças e padrões de pensamento cristalizados tendem a limitar nossa capacidade de inovar em aspectos tão essenciais da vida, como a resolução de problemas, a criatividade e a tomada de decisões.
Desaprender essas limitações nos liberta, permitindo que exploremos novos caminhos e possibilidades. É como se estivéssemos nos livrando de “grilhões invisíveis” que nos prendiam ao passado, para então abrirmos nossos horizontes.
Ao longo da vida, enfrentamos diferentes desafios e transições, como o início da carreira, a criação de uma família, até mesmo a aposentadoria. E é nessas fases de mudança que o processo de desaprender e reaprender se torna tão valioso. Ao nos despirmos daquilo que já não nos serve mais, conseguimos nos adaptar com muito mais agilidade e criatividade, promovendo a inovação em nossa trajetória pessoal.
Casos de sucesso de profissionais de TI que se destacaram por desaprender práticas antigas.
Maria Carolina é uma desenvolvedora de software sênior que durante muitos anos foi “craque” na programação de linguagem C (procedural) e se viu que a Programação Orientada a Objetos (POO) estava se tornando uma tendência empresa. Ela começou a perceber as limitações da linguagem procedural, especialmente em projetos complexos, que exigiam maior modularidade e reutilização de código.
Decidida a se atualizar, Maria Carolina se inscreveu em cursos de POO com linguagem Java e se dedicou a estudar as melhores práticas e design patterns. Inicialmente, ela enfrentou resistência de alguns colegas mais arraigados à programação em linguagem C e C++, mas persistiu, demonstrando os benefícios da POO em pequenos projetos-piloto. Com empenho e habilidade, Maria Carolina se tornou uma das principais especialistas em Java na empresa, vindo a liderar a migração de diversos sistemas legados para a nova abordagem de POO. Ela apresentou os benefícios e vantagens: a manutenção dos códigos, o aumento da escalabilidade e a melhora da qualidade do código.
Anderson atuou como Administrador de Redes de uma empresa de médio porte há vários anos. Ao longo do tempo, ele havia se acostumado a gerenciar a rede utilizando os protocolos e as tecnologias de IPv4 e Ethernet tradicional. Com o aumento da demanda por conectividade e a crescente preocupação com a segurança, ele percebeu que era necessário modernizar a infraestrutura da rede. Após uma análise cuidadosa, ele decidiu migrar a rede para o protocolo IPv6 e implementar a comutação Ethernet avançada (como o VXLAN e o EVPN).
Ele se capacitou em protocolo IPv6 e nas novas tecnologias de comutação, gerenciando a implementação de um projeto-piloto, demonstrando os benefícios da modernização com a melhoria da eficiência e a segurança da rede, por meio de uma infraestrutura de rede mais robusta, escalável e segura.
Ana era uma Analista de Dados experiente em uma empresa de varejo. Ao longo dos anos, ela se especializou no uso de ferramentas tradicionais de Business Intelligence, como planilhas eletrônicas e bancos de dados relacionais. À medida que a empresa crescia e a quantidade de dados a ser analisada aumentava exponencialmente, Ana percebeu que as ferramentas tradicionais estavam se tornando cada vez mais inadequadas. Ela decidiu então se aprofundar no estudo de tecnologias de Big Data, como Hadoop, Spark e plataformas de armazenamento e processamento de dados em larga escala. Ana conduziu os projetos de transição, capacitou sua equipe e redesenhou todos os processos de análise de dados. Em pouco tempo o empenho e a expertise de Ana a destacaram como uma referência em análise de dados na organização.
Nesses três exemplos vimos como esses profissionais de TI tiveram a coragem e a audácia para desenvolver uma capacidade de desaprender práticas antigas e adotar novas tecnologias em suas empresas.
E você, está preparado para desaprender para inovar?